Neste domingo (7), a Paraíba deu boas vindas ao seu campeonato estadual. A bola rolou do litoral ao sertão do Estado na primeira rodada do torneio e as duas únicas equipes que ainda não entraram em campo foram Campinense e Desportiva Guarabira, que se enfrentarão amanhã (9), no Amigão, em Campina Grande. Em João Pessoa, o Botafogo-PB recebeu o Serrano-PB e apesar de ter dominado as ações ofensivas, venceu de virada e com dificuldade. O placar de 2 a 1 refletiu o que se viu durante a partida.

Apesar de não ter apresentado um bom entrosamento no início do jogo, o Belo tomou a iniciativa e levou perigo ao gol do “Lobo da Serra” em, ao menos, três oportunidades seguidas, mas foi a equipe visitante quem abriu o placar. Após lançamento de Araújo, Erivan invadiu a área e foi derrubado por Edson, que assumiu a titularidade no gol do Botafogo -PB, após quase um ano sem atuar pelo clube. Foi o autor do passe, Araújo, quem bateu e marcou; 1 a 0 para os visitantes.

O Belo seguiu atacando e contou com o apoio da torcida para abrir o placar e consequentemente, empatar o duelo, mas o que se viu foram muitos passes errados e chances de gols desperdiçadas. Ao final do primeiro tempo, a frustração dos torcedores ficou aparente através das vaias que precederam o apito do árbitro e seguiram até que o último jogador deixasse o gramado.
A reprovação virou apoio graças ao grito de gol ainda nos primeiros minutos da segunda etapa. Após cobrança de escanteio, Gladstone desviou a bola e Nando aproveitou para abrir o placar; era o empate do Belo. Para sacramentar a reconciliação, Carlos Renato lançou para Nando que aproveitou o erro do goleiro adversário e ampliou para o Belo; 2 a 1.

Mesmo com o placar favorável, o Botafogo continuou atacando e mesmo sem ampliar o marcador fez com que o final da partida ficasse marcado pelo som dos aplausos e gritos de incentivos dos torcedores. Agora o Botafogo -PB deve enfrentar o CSP no próximo domingo (14), no Almeidão, mas como visitante já que o mando de campo será do Tigre. Já o Serrano enfrenta o Sousa no sábado (13), no estádio Amigão em Campina Grande. Ainda na rodada, Sousa e CSP empataram sem gols, Atlético-PB venceu o Nacional por 1 a 0 e o Treze venceu o Auto Esporte por 2 a 1.

Crônica
Não dá para criticar o torcedor que vaiou o time, mesmo que o apito marcasse apenas o fim do primeiro tempo e não do jogo. A bola ainda rolaria por 45 minutos, muita coisa poderia acontecer, mas os olhos dos fãs viam lembranças amargas, referentes à campanha de 2017, mais especificamente à série C do ano que passou. Demorou para entender que aquele era um novo time. Também demorou para que o time se mostrasse como novo.
Logo no início da partida, ainda em 1 minuto de jogo, Dico encontrou Nando passando entre os zagueiros do Serrano-PB e lançou o atacante, mas a finalização foi nas mãos do goleiro. Logo em seguida, o próprio Nando recebeu sozinho e podia ter chutado, mas preferiu ajeitar para Hiroshi chutar para fora. A dobradinha ainda seria repetida, mas dessa vez o camisa 9 estava de costas para o gol.
O goleiro talvez tenha sido a posição mais criticada na última temporada, quando Michel Alves defendeu a meta da equipe e falhou em algumas oportunidades. Provavelmente o homem sob as traves é o maior trauma do torcedor e isso acabou por recair sobre o jovem Edson. Sem jogar a quase 1 ano, o arqueiro demonstrou insegurança e deixou aparente a falta de ritmo. Isso somado ao nervosismo de estrear em uma das posições mais criticadas da equipe traz um crédito a mais para ele: não dá para julgar Edson por essa primeira partida.
Estratégia de jogo
Ficou evidente desde o início que o treinador do Belo, Leston Junior, iria investir em ataques através de passes curtos. A formação era um 4-2-3-1 muito bem definida. O ataque compactava o Serrano. Só faltou reparar no detalhe de que aqueles rapazes jogaram juntos em pouquíssimas oportunidades. A dificuldade era justamente de encontrar o outro companheiro e isso atrapalhou a movimentação ofensiva do time. Faltou entrosamento em todos os setores.
Mas a verdade é que do outro lado não havia um time bobo. O Serrano estava disposto a investir exatamente nos erros do anfitrião e foi assim que chegou ao gol justamente em um desses erros. A transição ataque-defesa da equipe de João Pessoa era lenta e deu espaço para Araújo lançar Erivan, que ganhou na corrida do zagueiro e encontrou um goleiro sem ritmo de jogo. Edson derrubou o atacante e na conversão do pênalti, o Serrano largou na frente do Botabogo-PB.
O Belo continuava mantendo a superioridade das ações, mas os fantasmas continuavam a assombrar quem assistia. Um primeiro tempo tecnicamente muito abaixo do proposto. Só restava concluir aquela etapa e tentar acertar os pontos para a próxima.

Na hora certa
Rafael Jataí deu espaço para Marllon e a velocidade do jogador fez com que a marcação do Serrano baixasse um pouco e isso criou mais espaço para o belo jogar pela direita de campo, já que só conseguia chegar pela esquerda do campo, ainda durante o primeiro tempo. Essa possibilidade de variação de ataques reduziu a sobrecarga em cima de Fábio Alves e o lateral esquerdo também passou a errar menos. Ele havia realizado um primeiro tempo difícil.
Com os acertos o jogo mudou muito. Apesar do volume ofensivo ser rigorosamente igual o Belo atacava com mais efetividade e passou a ameaçar o Serrano com mais consistência. Tanto que logo aos 11 minutos o gol de empate saiu. Logo na sequência, Nando tem oportunidade semelhante, mas o goleiro defende e no rebote o atacante manda por cima do gol.
Daí em diante o Belo iniciou um bombardeio contra Juci, goleiro do Serrano-PB. Hiroshi, Humberto e Allan Dias testaram o goleiro com chutes de fora. Aos 30 minutos da segunda etapa, Carlos Renato entrou no lugar de Fábio Alves e Dico deu espaço a Rafael Castro. Logo aos 38, o próprio Carlos Renato puxou contra-ataque e lançou para Nando, o atacante dominou mal, pareceu titubear, mas no final marcou com segurança.

Nada definido
Não que a vitória descarte a desconfiança, ainda é preciso saber se esse Botafogo-PB totalmente reformulado está mais próximo daquele campeão estadual de 2017 com poucos gols ou do outro que lutou para não ser rebaixado à série D do brasileiro. O que de fato ficou à mostra foi um time sem entrosamento, mas com capacidade de ir muito longe. Resta saber se todo esse potencial será explorado a tempo de conquistar o paraibano e o tão sonhado acesso à série B. No mais, devemos sentar, esperar e desejar sorte. Também é possível vaiar ou aplaudir, mas isso é com o torcedor.

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Geri Júnior
Jornalista pela Universidade Federal da Paraíba; repórter esportivo na TV Brasil; Jornalista esportivo freelance; comentarista esportivo; Apreciador do futebol, seja moderno ou raiz e contador de histórias.

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