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TABUS SÃO HISTÓRICOS E MERECEM RESPEITO

O professor, que também é especialista em Direitos Humanos, revela que nas religiões de matrizes africanas e ameríndias, nas quais sexo é prazer e a procriação algo decorrente, não há pecado, há coisas ruins e boas e, cada um e uma se acerta com seus erros. “Os tabus são históricos e devem ser respeitados, pois são fundamentados, são dogmas, mas as repressões não impedem que as pessoas vivam, ainda que no anonimato, seus desejos. Mesmo mantendo-se caladas para serem aceitas no grupo ou matando a cada dia seus desejos por não poderem ser maiores que os dogmas”, analisa.

 Com relação se os desequilí-brios e excessos de natureza sexual tem alguma coisa a ver com a falta ou afastamento de uma prática religiosa, Valdir pontua que considera apenas como sendo desequilíbrio, práticas de estrupo ou qualquer violência de natureza sexual. “Outrossim, podemos enquadrar a prática do aborto também como sendo desequilíbrio, visto se tratar de uma interrupção de um processo natural. Esta afirmação, contudo, não se pretende ser um juízo de valor sobre a prá-tica, mas, de um entendimento do processo: engravida-se, aborta- -se, havendo um desequilíbrio no percurso. Ademais, as orientações sexuais, preferências, fetiches etc., não incluirei nesse rol e nem também pretendo adentrar nessa seara”, pondera.
 Ele entende que é cabível se pensar na religião como algo que liberta, que liga o profano, diga- -se humano, ao divino (religae). Desta forma, a religião estaria cumprindo uma função social de orientar e não condenar seus seguidores. “Doutra feita, as pessoas que nunca tiveram religião nem formação humanitária, podem se sentir muito livres para praticarem perversões sexuais, sem sentirem- -se culpadas, sem temerem condenações espirituais. Ainda creio ser a religião um espaço de apaziguamento da violência, do desregramento total civilizatório, em oposição à barbárie”, diz. “Num estado de direito, o direito de se escolher com quem se quer ter prazer é primordial. Ninguém quer ser abusado em sua sã consciência! A ausência de formação, faz com que a violência se banalize, criando-se um lugar comum numa sociedade em que, por vezes, o caos vira paisagem”, conclui.
[Entrevista ao Jornal UNIÃO  15 de março de 2015]
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