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Comunidade usa canoa furada para atravessar rio após chuva ‘levar’ ponte em Santa Rita

Cerca de 40 famílias da comunidade Usina Santa Rita, na cidade de Santa Rita, na Grande João Pessoa, estão utilizando uma canoa furada para poder ter acesso à área central da cidade. As chuvas do final de semana na Região Metropolitana da capital paraibana, que atingiram a marca de 312,2 milímetros entre a sexta-feira (15) e a segunda-feira (18), arrastaram a passarela que ligava a comunidade ao restante da cidade após aumentarem o volume do Rio Paraíba no domingo (17).

Os moradores da comunidade precisam usar a canoa, que tem dois furos na proa e é movida a remos, para ter acesso à escola, ao trabalho e ao comércio. O eletricista Ito Ogami, morador da comunidade, conta que é preciso praticamente uma força-tarefa para que a travessia seja completada. “O único meio de transporte que sobrou foi essa canoa, que está em situação precária, cheia de buracos. Aqui, enquanto o pessoal rema, outros têm que ficar tirando água”, comentou.

A Prefeitura informou que está tomando as providências necessárias para o conserto da estrutura da ponte e que contratou canoeiros para suprir, em caráter emergencial, a falta da ponte e realizou a compra de dez coletes salva-vidas para que a passagem seja feita de forma segura.

O pedreiro Francisco de Assis Santos comentou que a passarela usada como ponte já estava em condições precárias, com tábuas soltas. “Agora vamos ter que esperar o rio baixar para tentar colocar ela de novo. As condições das tábuas… estão todas quebrando. Quando quebra, cai até moto. Já vimos vários acidentes aqui”, relatou. Para visitar o pai que está doente, Lindinalva de Lima precisou vencer o medo de seguir na canoa. “Já sou acostumada, me criei aqui”, completou.

Para o canoeiro José Luiz de Brito, a canoa não afunda porque eles controlam o limite de pessoas que fazem a travessia. “Ela está com um buraco na frente e vazando muito por trás. A canoa está rodando porque a gente está fazendo milagre. Se botar mais gente, ela afunda por causa do buraco na frente, que é muito grande”, acrescentou o canoeiro. Os moradores diminuíram a fenda na embarcação com pedaços de pano, mas não tem ajudado muito.

Antônio Toscano, morador da comunidade Usina, relatou que as famílias procuraram a Prefeitura de Santa Rita várias vezes para que ela cedesse uma nova canoa, que não oferecesse risco aos moradores, mas em nenhuma delas tiveram êxito. “A gente sabe que tem o orçamento da canoa, tem tudo lá [na prefeitura] e eles não fizeram nada. Chegaram a vir aqui, olharam, mas até agora nada”, completou.

Enquanto os moradores aguardam uma posição do poder público, seguem se arriscando na travessia, como relata a dona de casa Rejane Martins. “Aqui a gente tem criança, tem gente de idade, tem bebêzinho. E como é que fica a população? Quem sabe nadar, é bom. Mas e quem não sabe? A gente quer uma solução antes de acontecer algo pior”, lamentou a moradora da comunidade Usina Santa Rita.

A Prefeitura de Santa Rita informou, por meio de nota, que está com equipes da Secretaria de Infraestrutura, da Defesa Civil e com o próprio prefeito nas ruas desde o último sábado, para tentar amenizar todos os problemas.

A Prefeitura reiterou que os cuidados para evitar que transtornos como esse aconteçam vêm sendo tomados desde o início da gestão (como a dragagem do Rio Preto), e está fazendo tudo que é possível para amenizar o sofrimento das pessoas diretamente envolvidas.

Idosos e crianças utilizam canoa como meio de transporte na comunidade Usina Santa Rita (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)
Idosos e crianças utilizam canoa como meio de transporte na comunidade Usina Santa Rita (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Atualizado 20/04/2016

O prefeito Netinho comprou uma canoa e 10 coletes salva vidas para ajudar na travessia, já o deputado Zé Paulo comprou outra canoa, agora a população conta com duas embarcações.

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