Moradores de Camboinha atearam fogo em objetos e interditaram a BR-230 (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Moradores de Camboinha, em Cabedelo, cidade da Grande João Pessoa, interditaram a BR-230 na noite desta terça-feira (18), em protesto pela morte do garçom Marcelo da Silva, de 20 anos. O jovem foi atropelado no fim da tarde desta segunda-feira (17) por um carro de luxo. Os manifestantes fecharam os dois sentidos da rodovia ateando fogo em objetos. Eles fizeram orações e pediram justiça.

O acidente que matou o garçom de 20 anos foi registrado no km 3,8 da rodovia federal. Segundo testemunhas informaram à Polícia Rodoviária Federal (PRF), o carro de luxo envolvido no acidente seguia em alta velocidade, acima dos 80km/h permitidos como limite na rodovia federal. Marcelo da Silva foi arremessado, não resistiu ao impacto e morreu no local.

O corpo de Marcelo foi enterrado no fim da tarde desta terça-feira no Cemitério de Cabedelo, localizado na entrada da cidade. O velório foi em uma igreja evangélica, em Camboinha.

O irmão de Marcelo, Márcio da Silva, relatou que o garçom tinha o sonho de ser cozinheiro e trabalhar em navio, viajando o mundo.

A tia de Marcelo, Ana Lúcia do Nascimento, afirmou que pessoas que estavam no local no acidente viram o carro envolvido no acidente fazendo racha na rodovia. “O carro vinha fazendo pega, sem placa, sem nada. Bateu nele e jogou ele lá fora. A gente só pede justiça. O que a gente quer é justiça”, comentou.

Os moradores da área próxima ao acidente ficaram revoltados com a morte do jovem e fecharam parte da rodovia. Nas imagens gravadas por celular, é possível ouvir barulhos semelhantes a tiros e algumas pessoas correndo em seguida.

Motorista foi liberado
O motorista do carro de luxo, o empresário Antônio Gerbase Neto, de 34 anos, foi encaminhado para o Distrito Integrado de Segurança Pública (Disp) de Manaíra, para prestar depoimento. A delegada Deiby Ismael informou que a princípio o empresário deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O empresário e o advogado dele não quiseram falar sobre o caso.

Em seu depoimento, o motorista afirmou que o jovem ficou paralisado no momento em que viu o carro e o impacto foi inevitável por conta do trânsito. “Ele falou que estava se dirigindo à residência da mãe, em Camboinha, quando de repente ele viu que a vítima estava puxando a bicicleta. Quando viu o carro, a vítima ficou paralisada, sem ação e ele ficou sem ter como evitar o acidente devido ao trânsito. Então foi inevitável a colisão”, comentou Deiby Ismael.

Na delegacia se recusou a fazer o teste do bafômetro, embora segundo a delegada, o empresário não apresentasse sinais de embriaguez. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), rejeitar ser submetido ao teste é considerado uma infração de trânsito. O empresário deve ser multado, ter a carteira de habilitação apreendida e pode ter o direito de dirigir suspenso. O fato do empresário estar dirigindo um veículo sem licenciamento, é considerado um ato infracional gravíssimo.

Antônio Gerbasi Neto foi autuado em flagrante e liberado após pagamento de fiança. A delegada informou que não vai divulgar o valor da fiança. A investigação continua, ele vai continuar respondendo o processo em liberdade. O inquérito será encaminhado para a 7ª Delegacia Distrital de Cabedelo, para o delegado Isaías Olegário, que tem trinta dias para concluí-lo. O carro de luxo envolvido no acidente vai ficar apreendido na Central de Polícia, em João Pessoa.

De acordo com a delegada Roberta Neiva, se confirmada a alta velocidade do veículo, o crime de trânsito não necessariamente se transforma em homicídio doloso. “A caracterísitca principal do crime culposo é você agir de maneira imprudente, negligente ou imperita. Então se ele estava em velocidade acima do permitido, há uma imprudência, mas isso não alça necessariamente a um crime doloso pelo dolo eventual. É importante que as pessoas entendam que há uma legislação própria que permite instrumentos como, por exemplo, a fiança”, disse.

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