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Pesquisador santarritense relembra fatos históricos marcantes nos 432 anos de João Pessoa

Quando foi fundada, em 1585, não se pensava que a cidade de João Pessoa fosse alcançar o marco de 801.718 mil habitantes – tornando-se a 29ª mais populosa do país. Também tida como a terceira mais antiga do país, a cidade tem origem concomitante com a da Paraíba. João Pessoa foi construída por conta da expedição bem-sucedida dos lusitanos à capitania hereditária de Itamaracá, onde hoje localiza-se o Estado. Por essa razão, a data de fundação da cidade, 5 de agosto, é feriado em toda a Paraíba.

A norma foi instituída apenas em 2015, por lei estadual de autoria da deputada Estela Bezerra, que estendeu o feriado a todas as cidades do Estado. João Pessoa é onde circula a maior parte da economia da Paraíba. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do município é de R$ 17,4 bilhões, o maior volume entre as 223 cidades do Estado (dados de 2014). O setor de serviços é o que mais movimenta recursos, agregando ao PIB R$ 8,7 bilhões. Em seguida vem a indústria, com R$ 3,1 bilhões.

De acordo com Valdir Lima, professor de História, pesquisador na área de Memória e doutorando em Ciência da Informação, os portugueses iniciaram o processo de colonização apoiados pela igreja católica. Ele afirma que, como aqui viviam duas grande tribos indígenas rivais, os Tabajara e os Potiguara, houve espaço para que os europeus penetrassem facilmente no território, tirando proveito da terra que encontraram. “O franceses estabeleceram ‘parceria’ com os potiguaras, para conseguirem a extração das riquezas naturais da terra, enquanto que os tabajaras aliaram-se aos portugueses”, explica.

Contudo, não foi assim tão simples conquistar a capitania. De acordo com o historiador, a capitania de Itamaracá ficou conhecida pela capacidade de resistência potiguara à dominação territorial. Em 1585, entretanto, lusitanos e tabajaras conseguiram atacar o litoral norte – local que ficou conhecido como Baía da Traição – e vencer os potiguaras. Depois, caminharam até a região do Varadouro e foi ali onde nasceu a cidade de João Pessoa. “O marco inicial da cidade é simbólico, visto não se ter uma precisão oficial do local”, esclarece Valdir.

Dessa forma, a região recebeu o título de cidade, sem necessariamente passar pelas etapas de vila, freguesia ou paróquia. Devido à influência cristã, o primeiro nome de João Pessoa foi Nossa Senhora das Neves. Ao longo do tempo e influenciada pela história, a cidade viria a receber outros nomes. São eles: Filipeia de Nossa Senhora das Neves, porque Portugal estava sob a égide da Espanha, regida pelo rei Felipe II; Frederica, ao ser invadida por holandeses, ao comando do Conde Maurício de Nassau; e Parahyba, após a expulsão dos holandeses e da expedição chefiada pelo santarritense André Vital de Negreiros.

Segundo Valdir Lima, a cidade continuou crescendo no sentido oeste. “Após a instalação do Engenho Real Tibiri onde hoje é a cidade de Santa Rita, a coroa portuguesa criou uma alfândega no Porto do Capim para escoar os produtos vindos por mar no Porto do Capim e a cidade sobe”. Primeiro veio a Ladeira da Borborema e, em seguida, a Rua Nova – hoje a General Osório -, onde foram construídas as primeiras edificações.

A Basílica Nossa Senhora das Neves, o Colégio e Convento Jesuíta, que já foi posteriormente, Assembleia Legislativa, Lyceu Paraibano, Faculdade de Direito e a Casa do Capitão-Mor, hoje Palácio do Governo do Estado foram tidos como a tríade das edificações do início da cidade. Foram edificados também conventos de ordens religiosas como o Mosteiro de São Bento, São Francisco e a Ordem do Carmo.

Expansão para a orla

Logo, a cidade se expande pela região central, onde nascem os bairros do Varadouro, Ilha do Bispo, Jaguaribe e Cruz das Armas. Após o assassinato do presidente João Pessoa, no Recife, em 26 de julho de 1930, a Parahyba entra em evidência na história nacional. “João Pessoa havia sido candidato a vice-presidente do Brasil na chapa com Getúlio Vargas e este acontecimento força a tomada do poder por parte de Vargas, que, por sua vez, altera novamente o nome da capital para João Pessoa e o nome do Estado passa a se escrever Paraíba”, relata.

Logo após este acontecimento, a cidade começa a crescer na direção das praias, antes habitadas por uma população de menor poder aquisitivo. Antes mesmo dessa expansão, entretanto, a elite já havia caminhado na direção do Bairro dos Estados. “João Pessoa teve um processo de crescimento urbano muito lento, de sua fundação no século XVI ao seu ‘boom’ imobiliário, após 1930”, pontua. Depois de Tambaú e Cabo Branco, a cidade cresce exponencialmente, surgindo a Torre, o Castelo Branco, o José Américo e, nas décadas conseguintes, Mangabeira, Valentina, bem como em processo, bairros como Bancários, Bessa e os demais que se têm hoje.

João Pessoa é uma cidade repleta de obras arquitetônicas que contam sua história. Ao percorrer a capital, é possível observar desde as construções mais antigas, no Centro, onde aproximadamente 7 mil imóveis estão inseridos nas áreas de preservação, como obras mais modernas. De acordo com Gabriela Pontes, coordenadora de Arquitetura e Ecologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), todo patrimônio edificado em um núcleo urbano retrata um período da história.

Ela conta ainda que João Pessoa é uma cidade marcada por inúmeros processos de transformação, que alteraram seu traçado original, levando a expansões urbanas em várias direções. Gabriela pontua que, na Cidade Baixa e na Cidade Alta, guarda-se um vasto registro da ocupação de diversas zonas, sendo possível distinguir diferentes perfis e usos dessas ocupações.

A Rua das Trincheiras, por exemplo, é composta por palacetes que marcam o período de meados do século XIX, em que as camadas sociais de maior poder aquisitivo buscavam distanciar-se do centro comercial. Além dela, há o trecho que vai da Avenida Monsenhor Walfredo Leal até a Praça da Independência, onde já é possível encontrar construções do século XX, a partir da Avenida Epitácio Pessoa.

Ainda de acordo com a coordenadora de Arquitetura do Iphaep, João Pessoa possui um misto de diversos estilos arquitetônicos, predominando o ecletismo, caracterizado pela mistura de elementos estilísticos de várias épocas. “Temos registros do barroco em nossas igrejas, do neoclássico em edificações institucionais, do neogótico, do colonial e neocolonial, art noveau, art decó, protomoderno, moderno, entre outras influências”, esclarece.

Em 2008, o centro histórico de João Pessoa, onde predominam as obras de estilos mais antigos, foi tombado como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Isso significa que a História preservada através dos registros existentes, tanto nas edificações, quanto no traçado urbano, possui relevância para a História do Brasil, inserindo João Pessoa no contexto histórico de colonização do Brasil como uma cidade de referência”, diz Cassandra Figueiredo, diretora executiva do Iphaep.

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