Quando Rafael Castro cruzou a bola para o estreante Mário balançar a rede e sacramentar a goleada do Botafogo-PB sobre a Desportiva Guarabira por 5 a 0, talvez nem soubesse que estava colocando um fim das chances do azulão de escapar do rebaixamento ainda na primeira fase do paraibano. Aliás, o problema da desportiva começou aos 20 minutos do segundo tempo, quando Netinho abriu o placar para os donos da casa.
Por conta do regulamento do estadual deste ano, os dois últimos colocados de cada grupo na fase regular se enfrentam em um quadrangular e a partir dos duelos entre eles os dois piores são rebaixados para a segunda divisão 2018. Existem chances para que a Desportiva fuja do descenso, mas Guarabira não merecia essa angústia.
A realidade é tão dura que até o treinador Luciano Silva admitiu, ao fim da partida, que a equipe deve priorizar a disputa pela permanência na primeira divisão. “Com sinceridade, eu acho que a gente deve começar a pensar no quadrangular, não sei se matematicamente ainda temos possibilidades, mas no momento que começamos a depender de outros resultados fica tudo mais difícil”, destacou o comandante da equipe azulina.
Luciano, inclusive, chegou à Guarabira só na quinta rodada do paraibano, após a demissão de Wassil Mendes e fez mudanças muito modestas e pontuais, sobretudo na forma de jogar. A Desportiva passou a dar mais importância à marcação, que ficou mais compacta, tentando sair em velocidade. Aparentemente nada tem dado certo: o time ainda não venceu sob o comando do treinador gaúcho.
Representatividade
É bem verdade que a Desportiva Guarabira foi registrada com esse nome em 2004, mas as raízes do clube datam da década de 1930 e trazem como herança o apoio dos guarabirenses. É comum encontrar torcedores do time acompanhando os jogos longe da cidade brejeira, mesmo que em pequeno número. Mas apesar da quantidade modesta de apoiadores que apresenta nos jogos fora de seus domínios, dia de jogo em casa é sinônimo de festa. O Estádio Silvio Porto é pequeno, mas se enche de gente que vibra e empurra o time.
Existe um orgulho naquela gente ao ver o azulino jogar e isso independe do resultado. É o desejo de vitória de uma cidade inteira, melhor, é honra. E com a ausência do Confiança de Sapé das competições oficiais, a Desportiva representa mais que o município, ela leva consigo o peso de representar uma região inteira. E o que deveria ser rivalidade entre cidades vizinhas acaba virando apoio.
O estádio, os investimentos, tudo por lá é modesto. É o Davi lutando contra Golias; tanto que talvez isso pode ter criado um efeito psicológico negativo dentro de campo. A Desportiva é grande, ou melhor, é gigante no coração dos torcedores! Não é justo com a região do brejo, muito menos com aqueles que torcem por um futebol popular, que o time desça à segunda divisão. O lugar do time de Guarabira é na elite, entre os grandes, jogando uma pedrinha de cada vez até vencer um exército de soldados maiores e mais fortes.
Geri Júnior
Jornalista pela Universidade Federal da Paraíba; repórter esportivo na TV Brasil; Jornalista esportivo freelance; comentarista esportivo; Apreciador do futebol, seja moderno ou raiz e contador de histórias.

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