Da Piauí

O corte de bolsas de pesquisa anunciado pelo Ministério da Educação no começo da semana vai retardar o início de um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que investigará uma arma promissora contra um tumor de cérebro: o vírus da zika.

A biomédica Gabriella Pinheiro Alves de Freitas, pesquisadora que pretende investigar em seu doutorado a segurança do novo tratamento – etapa imprescindível para que ele possa ser testado em pacientes humanos –, receberia uma das 5 613 bolsas cortadas nesta semana (se a conta incluir outros cortes anunciados pelo governo Bolsonaro desde o começo do ano, já são quase 12 mil bolsas a menos).

Análises preliminares realizadas pela equipe do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e por outros grupos de pesquisa indicaram que o vírus é capaz de matar células de glioblastoma, o mais comum e agressivo tipo de tumor de cérebro.

Não há cura conhecida para esse tipo de câncer, e os pacientes sobrevivem em média de catorze a dezoito meses depois do diagnóstico. O tratamento indicado pode incluir a cirurgia para retirada do tumor, radioterapia e quimioterapia. “Mas é meramente um paliativo”, disse a bióloga Patrícia Garcez, líder do grupo da UFRJ que estuda o tumor. “Há mais de dez anos não tínhamos novidades no tratamento do glioblastoma.”

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