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Santa Rita
domingo, 20 setembro , 2020

Um bairro para cercar ou libertar?

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Estamos vivendo em um período da história de nosso país onde se debate sobre liberdade, a falta dela, regimes ditatoriais, golpes, ameaças, discursos plagiados do Nazismo por autoridades, demonstrações de falsas superioridades raciais que viram e mexem voltam à tona; tudo isso me fez pensar sobre a história de um bairro de Santa Rita, que teve um nome contraditório ao bem maior do ser humano: a liberdade.

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Durante o século XVIII, muitos comerciantes vinham do sertão da Paraíba para a capital e vice-versa. Muitos desses homens pernoitavam no povoado que deu origem a cidade de Santa Rita. Neste período, a localidade era conhecida por Cumbe.1

Próximo ao rio Paraíba do Norte, havia alguns pousos que eram pequenas pousadas para viajantes, onde descansavam antes de seguir viagem, pois a passagem entre Cumbe (Santa Rita) e Barreiras (Bayeux) tinha um alagado muito difícil de passar, chamado de Manema, o que veio mais tarde a ser o bairro de Várzea Nova.2

Enquanto os viajantes descansavam nos pousos na beira do rio, seus gados ficavam amarrados no cerco, que, anos mais tarde, deu origem ao Bairro do Cercado.

Durante o século XX, mais precisamente, 11 meses depois de assumir o poder do município pela segunda vez, Antônio Teixeira (1969-1973), que tinha sido absorvido de dois processos pela Ditadura Militar, resolveu modificar o nome do Bairro do Cercado para Bairro da Liberdade. Em seu discurso inspirado em Abraham Lincoln, Teixeira dizia ser impossível conciliar um povo que lutava pela liberdade e este mesmo povo ter que viver em um bairro chamado de Cercado, porque como disse em seu discurso “a liberdade é o bem maior da humanidade”. 3

Referências:

1. SILVA, Siéllysson Francisco da. Santa Rita: a herança cristã do Real ao Cumbe. João Pessoa: Ideia, 2007.

2. SANTANA, Martha Maria Falcão de Carvalho e Morais. Nordeste, açúcar e poder: um estudo da oligarquia açucareira na Paraíba (1920-1962). João Pessoa: CNPq/Universitária. 1990.

3. Entrevista oral com a filha de Antônio Teixeira, Martha Falcão

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Siéllysson Francisco
Siéllysson Francisco é mestre em Ciências das Religiões, Historiador, Cronista e Poeta.

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