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quarta-feira, 12 agosto , 2020

Santa Rita cristalizada pelo Sr. Viégas

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Boa parte das imagens antigas da cidade de Santa Rita que você encontra nas redes sociais fazem parte do acervo do Foto Viégas. Mas, quem foi o Sr. Viégas, o homem que cristalizou o passado para as gerações presentes e futuras? Qual era a finalidade dessas imagens? Saiba tudo isso neste artigo.

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Seu nome de batismo é Antônio Alves Bezerra. O nome Viégas veio de sua mãe, Maria Alves Viégas, que muitos anos depois ele adotou como uma marca pessoal. O seu pai era Adelino José Bezerra, um comerciante.

O conhecido fotógrafo Viégas, se enveredou por outros ramos antes de se dedicar a sua paixão pela fotografia. Seu primeiro trabalho foi Fiscal de luz, funcionário público da Prefeitura de Santa Rita na época. Tempos depois, seguiu pelo ramo de sapataria, mas entrou em falência e entregou o prédio da loja, na Praça Getúlio Vargas, ao seu funcionário sapateiro José Vaz, como forma de indenização por seus serviços. Abriu um armarinho e, neste período, estudava por conta própria a arte da fotografia, por vários livros que ele comprava de livrarias do sul do país, aperfeiçoou a técnica e dedicou-se a este trabalho.

Em um período em que as fotografias se tornavam cartões postais rudimentares (1), Viégas segue o caminho de vários fotógrafos radicalizados em João Pessoa, dos quais era amigo (2). De outros, herdou fotos inimagináveis da cidade de Santa Rita, como a emblemática cena da Praça D. Pedro II, hoje Praça Getúlio Vargas, com a Igreja Matriz sem a torre, de 1926, um ano antes  da chegada dele ao município, mas foi Sr. Viégas quem a coloriu. As imagens de Viégas serviam como cartões postais, por isso, havia tantas fotografias da pacata cidade, na época. Autodidata que era, Viégas aprendeu a retocar fotos e pintá-las. Também era um excelente desenhista. Um trabalho seu está hoje na galeria da Arquidiocese da Paraíba, uma representação do Bispo Dom José Maria Pires em nanquim com bico de pena.

O fotógrafo que cristalizou a cidade de Santa Rita durantes as décadas de 1940, 50 e 60 não era Santarritense. Ele nasceu em Sapé, no dia 26 de março de 1921, porém, passou pouco tempo por lá. Logo seus pais se mudaram para Capina Grande e em seguida para Recife onde, nesta cidade, Adelino fabricava e vendia doces. Foi em Recife que o garoto iniciou seus estudos aos 5 anos de idade.

Em 1927, com 6 anos, Viégas veio para Santa Rita, onde viveu toda a sua vida e casou-se com Dona Clara, popularmente conhecida por Caluzinha, com quem teve 6 filhos: Adelino, Aracilda, Altair, Adeilde, Alberto e Antonio, todos com o sobrenome Peregrino Bezerra. (3) O nome Viégas tornou-se uma marca, mas não no sobrenome dos filhos.

O Sr. Viégas viveu por 92 anos e, por viver tanto presenciou muitos fatos históricos do município de Santa Rita, registrando boa parte disso tudo, como: a presença de candidato a presidente, Juscelino Kubitschek, que o convidou para fazer a cobertura fotográfica de sua posse. Viégas agradeceu mas não aceitou, porém, recebeu anos depois um bilhete de punho do próprio presidente. Fotografou o show de Luiz Gonzaga aqui nas terras canavieiras e registrou muitas obras públicas para vários prefeitos de Santa Rita. (4)

Seu falecimento aconteceu no dia 21 de março de 2013, em sua residência na rua Siqueira Campos, deixando um rico acervo fotográfico para a posteridade.

Referências:

  1. Documentário: Álbuns da Memória: A Fotografia na Paraíba de Elisa Maria Cabral

 

LIRA, Bertrand de Souza. Fotografia na Paraíba: um inventário dos fotógrafos através do retrato (1850 – 1950). João Pessoa: Ed. Universitária, 1997.

 

  1. OLIVEIRA, Reginaldo Antônio de. Um Homem, Uma Cidade e o Tempo dos Bons Tempos. João Pessoa: Sal da Terra, 2014.

 

  1. Entrevista com o filho do Sr. Viégas, Alberto Peregrino Bezerra.

 

  1. Fotografias: Estúdio Foto Viégas.

 

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Siéllysson Francisco
Siéllysson Francisco é mestre em Ciências das Religiões, Historiador, Cronista e Poeta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Lhe sou grato pela homenagem feita ao meu pai. Viégas embora sapeense, carregou até o fim de sua jornada Santa Rita no coração. Amava está cidade como se fosse filho dela.

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