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quinta-feira, 26 novembro , 2020

Everton Silva: Direito de resposta

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No meu segundo artigo nesta coluna, peço o direito de resposta.

Eu quero responder ao cidadão que escreveu o artigo primeiro artigo desta coluna, a saber, eu.

Naquele artigo fiz a promessa que seria “imperfeito e, portanto, humano”.

 

Mas, para dizer a verdade, quem escreve não tem como meta a imperfeição, que nada mais é que a constatação de que não somos tão bons (ou perfeitos) quanto pensamos.

 

Escrever é uma atividade humana desenvolvida em primeiro lugar, segundo nos dizem nossos amigos historiadores pelos sumérios, há milhares de anos. Eles queriam se comunicar com seus contemporâneos, e quem sabe, com aqueles que sobreviveriam a eles. Eram leis, códigos morais como o de Hamurábi onde estava a frase “olho por olho e dente por dente”, escritos que imortalizavam as vitórias dos reis, etc.

 

A escrita surgiu como uma nova forma de comunicação que superava outras como as pinturas rupestres e se aliava a outras como a própria comunicação verbal (a fala). Escrever é, portanto, uma invenção humana, mas que existe com propósitos. Ninguém escreve simplesmente por escrever.

 

Escrever, assim como estudar, trabalhar, manter um casamento, criar filhos ou qualquer outra coisa que nós fazemos é uma tentativa de superarmos a nossa condição humana em direção a algo que não sabemos bem o que é. Uns dirão que é a glória, a imortalidade, etc.
Quando fazemos todas essas coisas estamos esperando não sermos esquecidos. Ninguém cria filhos por criar. Me diz aí: você se levanta cedo para ir ao trabalho pensando apenas no salário? Tem certeza?

O ser humano é o único dentre todas as espécies vivas que ocupam o nosso planeta que não está conformada com a sua condição. Queremos mais, ser humano parece sempre pouco.

 

Michelângelo, o grande pintor e escultor renacentista recebeu a encomenda do papa Júlio II para esculpir uma estátua de Moisés. Quando terminou essa obra, Michelangelo tocou na estátua e pediu que ela falasse. Por que ele fez isso? Porque reconheceu a qualidade do seu trabalho. A obra de cada um de nós é feita com esse propósito, a perfeição. E se não acontecer, paciência, estamos no processo de aprendizado, ou como diz minha orientadora acerca daquilo que escrevo “é um working in process”. Todo texto deve admitir um reparo.

 

Acho que é isso que eu devo dizer para o eu que escreveu o primeiro artigo dessa coluna há algumas semanas. Sim vou errar e acertar. Sim, sou humano e não sou perfeito, mas se escrevo é tentando escrever o melhor texto possível, tentando superar meus outros textos, assim como um atleta que quer bater seu próprio recorde. Mais do que tudo isso, quero escrever, ser compreendido e que aquilo que eu comunico seja algo que, de alguma maneira, ajude você que está lendo, em algum sentido, a ser alguém melhor, e se for muito pretensioso, serei modesto e direi que seria ótimo se este texto contribuir para que você tenha um dia melhor, mais leve.

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Everton Silva
Everton Silva
Everton Silva é cientista social, mestre em antropologia e professor de sociologia em escola da rede privada em Santa Rita.

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