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sábado, 16 janeiro , 2021

Servidor público de João Pessoa sofre racismo ao tentar alugar um veículo na capital.

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Mais um caso de racismo acontece na cidade de João Pessoa. Fagner Alisson, de 24 anos, casado, servidor público, teve seu direito de alugar um veículo à trabalho, dificultado, com exigências até então estranhas para esse tipo de negócio. Ao contactar uma locadora de veículos no início da semana, através de um número disponibilizado no facebook pela pessoa responsável,  Fagner começou uma verdadeira peregrinação,  ao que mais parecia a posse em um concurso público do que uma simples locação de um veículo. De praxe, para se fazer um negócio desse tipo, precisa-se, tão somente, apresentar um documento com foto, em algumas empresas pede-se o comprovante de residência,  e o adiantamento de até 50% do valor, caso o contratante não queira pagar à vista. Neste caso, o locador tinha tanto a documentação quanto o pagamento que seria à vista e em dinheiro, no entanto, começou achar estranho quando o locatário exigiu um atestado de antecedentes criminais.

mesmo achando estranho, Fagner foi até uma delegacia e solicitou o documento, que foi apresentado. Após um período em silêncio,  o locatário fez mais uma exigência,  dessa vez, a mais absurda de todas. Segundo Fagner, o rapaz exigiu que fosse feita uma visita na casa do servidor, para se conhecer seus familiares e vizinhos, foi aí que a vítima entendeu que estava sendo discriminado.

“Se eu eu fosse um Playboy, branco, morador de bairro nobre, eu poderia me apresentar da forma que fosse, com a cor de cabelo que eu quisesse, e tenho certeza que o tratamento não seria esse. Agora, mesmo sendo pai de família e servidor público,  pelo fato de ser negro, de periferia e ter meus cabelos tingidos de branco, fui interpretado de forma racista. Quer dizer que só pessoas brancas e ricas podem tingir oa cabelos da forma que quiserem?” , destacou Fagner.

A vítima está recebendo assistência do Centro de Referência João Balula, do Gov. do Estado, órgão criado para atender vítimas de injúria racial, racismo,  intolerância religiosa e qualquer outro tipo de violência e discriminação,  e estará sendo encaminhado à Justiça, para as providências cabíveis.

Pesquisas afirmam que os jovens brasileiros são um quarto da população, em
sua maioria pobre e negra. Esses jovens encontram-se vivendo em condições de extrema
pobreza, estão desempregados e analfabetos. Por estarem fora do mercado de trabalho
formal e morarem nas periferias são criminalizados pelo Estado e pela sociedade.
Nesse sentido, os dados que apresentaremos apontam, portanto, para duas
maneiras de reprodução do extermínio da juventude negra: a primeira, de forma sutil, porém
muito cruel, através do não acesso as políticas sociais, como: educação, de saúde, trabalho,
habitação e comunicação, o que significa que mesmo sendo 50% da população brasileira, a
população negra não tem sequer acesso aos direitos humanos básicos.
A segunda se manifesta de forma específica, através atuação da segurança
pública, diretamente nos territórios de maioria negra. Sob a justificativa de combate ao crime
organizado e ao tráfico de drogas, vem se intensificando os níveis de assassinatos
atribuídos ao envolvimento com narcotráfico, sem uma investigação apurada, o que legitima
o preconceito racial compartilhado socialmente, dando vazão a impunidade institucional
instalada no país.

Texto sobre as pesquisas, créditos: RACISMO NA PARAÍBA: genocídio e extermínio de jovens negros.
Danilo Santos da Silva
Elisabete Vitorino Vieira

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Cleyton Ferrer
Cleyton Ferrer
Comunicólogo; Radialista; Videasta; Documentarista; Estudante de Jornalismo (UFPB).

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