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Guerra Santa? Pastores evangélicos questionam suspensão de cultos, por decreto contra o avanço do Covid-19 na Paraíba.

Um grupo de pastores evangélicos têm usado  as redes sociais para fazer questionamentos, após a publicação no Diário Oficial desta terça-feira(23) do decreto de número 41.053, que estabelece medidas para conter a disseminação do Coronavírus e evitar aglomerações no território paraibano. Dentre as ações que já vigoram entre os dias 24 de fevereiro e 10 de março está o toque de recolher das 22h às 5h nos municípios com bandeiras vermelha e laranja.

Os cultos, missas e cerimônias religiosas presenciais estão suspensos durante a vigência do decreto nos municípios com bandeiras laranja e amarela, ficando asseguradas as atividades de preparação, gravação e transmissão das celebrações. Já serviços como a indústria, construção civil, call centers, salões de beleza, hotéis, creches, escolinhas de esporte e academias poderão funcionar, seguindo os protocolos e horários determinados pelas autoridades sanitárias e pelo decreto.

De acordo com esses líderes religiosos, estaria havendo uma certa “intolerância” na suspensão dos cultos presenciais, já que, no mesmo decreto, permite a abertura de bares, restaurantes, inclusive a venda de bebidas alcoólicas, e que os templos prestam um serviço de utilidade à sociedade, realizando atendimentos espirituais às pessoas, muitas vezes, com o emocional abalado devido a pandemia do Covid-19.

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O pastor que fala no vídeo chama-se Eron Tiago Carvalho da Cruz, presidente da Igreja Evangélica Templo da Adoração, situada na Av. Liberdade em Bayeux, e esteve reunido com a prefeita daquele município, juntamente com outros pastores, pedindo a reabertura dos templos evangélicos da cidade. A prefeita Luciene Fofinho, prontamente atendeu aos religiosos, e publicou um decreto, onde permite a abertura das igrejas, regulamentando com normas sanitárias o funcionamento dos mesmos.

O Ministério Público, imediatamente requereu na justiça a inconstitucionalidade do decreto em Bayeux, e teve o pedido concedido nesta tarde(25), onde, a justiça da 4ª Vara Mista de Bayeux determina que a prefeita cumpra as determinações do decreto estadual e, também, suspenda os cultos religiosos por 15 dias.

No ano de 2020, esse mesmo pastor, que nas redes sociais se apresenta como “Eron Cruz”, no dia 17/05, realizou um culto itinerante pelas ruas da cidade, amplamente divulgado nas redes sociais, que causou aglomeração, e chamou atenção da 5ª promotora de justiça de Bayeux, Fabiana Lobo, que instaurou notícia-fato em desfavor do religioso.

Arquidiocese da Paraíba acata o decreto e suspende missas:

Imediatamente após a publicação do decreto no Diário Oficial, o Arcebispo da Paraíba Dom Delson, juntamente com o Conselho presbiteral, se reuniram, e emitiram uma nota, suspendendo todas as missas na jurisdição da Diocese, como também, o líder religioso divulgou um vídeo nas redes sociais exortando os fiéis à se resguardarem, encorajando-os neste período difícil.

“Fiquemos em casa, porque estamos cuidando da vida. Nesse próximos quinze dias, vamos dar a nossa contribuição como sinal de amor, de cuidado à vida, esse dom tão especial que Deus nos deu”, disse Dom Delson.

Federação Independente dos Cultos Afro recomenda o recolhimento dos fiéis nesses 15 dias:

A presidente da FICAB Mãe Renilda Bezerra, disse que os templos religiosos de Candomblé, Umbanda e Jurema Sagrada, estão sendo orientados à cumprirem a determinação do Decreto Estadual, e ficarão 15 dias com seus atabaques em silêncio e  sem celebrações públicas. Para a sacerdotisa, a saúde, o bem estar, a integridade e,  principalmente a vida das pessoas é mais importante, e precisam ser cuidadas.

“O Terreiro é o lugar do cuidar do outro. Nossas casas religiosas, todos os dias recebem inúmeras pessoas, de diversos credos religiosos, que nos procuram para aconselhamento, direcionamento, limpezas espirituais, energização, etc. O templo físico, pode estar fechado por um tempo, mas, a ancestralidade que habita cada um de nós é viva o tempo todo, e devemos cuidar da integridade nossa e dos nossos semelhantes, pois, assim também estamos cuidando da nossa ancestralidade”  enfatizou a Iyalorixá.

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