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As Torres do Castelo

O Periódico Opinioso do Castelo da Curva do Rio

Trazendo pensamentos, lembranças, informações, entrevistas, comentários, o passado, o presente, o futuro e a narração de casos verídicos, em sua maioria fantasiados, escritos em prosa e verso pelo Segrel Paraibano Igor Gregório

Data: Vinte de Junho de dois mil e vinte quatro
Título: As Torres do Castelo

No prefácio do meu livro de poemas, O Livro das Carrancas, o escritor, nosso conterrâneo, Braulio Tavares, ao elaborar seu texto de apresentação do livro, comenta sobre o meu Castelo da Curva do Rio assim:

“Este Marco visionário, como certos castelos da Antiguidade ou da Idade Média, não é construído como edifício único, e posto de pé de uma vez só. Formas assim vão surgindo de pouco, ao longo dos anos ou dos séculos, acrescidos de extensões, de reforçamentos, de proteções laterais, de níveis murados postos mais acima ou mais abaixo…

Os Castelos de pedras milenares vão se compondo de acordo com as necessidades estratégicas e a criatividade arquitetônica dos seus senhores. Castelos concêntricos, castelos geminados, que se expandem pelo espaço disponível, sempre tendo em mente a necessidade imediata da fortaleza e da segurança, e a necessidade simbólica da imponência, da autoridade, e do mistério”.

Eu nunca havia parado para atinar sobre essa ideia até Braulio iluminá-la brilhantemente. Até porque eu já havia predefinido as torres do meu castelo, as quais já pincelei aqui em outras edições do Periódico, e achava eu que elas eram imutáveis em sua estrutura e quantidade. Mas não são, e isso ficará mais claro adiante no texto adiante.

Se o elevadíssimo Leitor caiu agora nesta publicação do Periódico Opinioso sem antes ler as edições anteriores, eu esclareço para melhor entendimento: O Castelo da Curva do Rio é um castelo literário no qual eu construo todo meu universo. Dentro deste castelo, como em todos os castelos que se prezem, há vários ambientes, pátios, recantos solares e obscuros e, claro, várias torres internas, por dentro dos muros e externas, nas quinas dos muros, como mourões de sustentação. Todas estas edificações castelares são representadas por livros, folhetos de cordel, gravuras e muitas outras produções de minha autoria. Longe do abandono, este meu Castelo é povoado por uma imensidão de indivíduos que ganham forma em cada personagem que descrevo com a pena da imaginação.

Bandeira do Castelo da Curva do Rio

A primeira torre que solevei nesta fortaleza foi a Primeira Torre Externa do Castelo da Curva do Rio representada pela publicação de sete Folhetos de Cordel. Padrão esses que se repetirá em todas as outras Torres Externas, onde serão eles publicados, de sete em sete, até que somem quarenta e nove, folhetos. Formando assim as sete Torres Externas, ou seja, as torres de vigília da muralha castelar, as torres que identificarão e protegerão o meu Castelo das maléficas influências. Nesta primeira estão contidos os seguintes títulos de cordel:

  • A ESTRADA PARA MONTEIRO E O AMOR QUE NASCEU NUMA BOLEIA
  • A HISTÓRIA DO HOMEM QUE COMIA DEMAIS OU A FORRAGEIRA DE PRINCESA ISABEL
  • GALDINO, O HEREGE OFICIAL OU O DESAFIO DO SANTO
  • O CAUSO DA MÃE E DA ONÇA OU A CORAGEM E O MEDO EM SANTANA DOS GARROTES
  • O ENCONTRO DE JACKSON DO PANDEIRO E BOB DYLAN NA FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO
  • O SONHO DO TESOURO E A REALIDADE DA GANÂNCIA OU UMA HISTÓRIA DE BOTIJA
  • POR QUE OS CACHORROS CHEIRAM OS BOGAS UNS DOS OUTROS?

Na construção desta Torre cometi muitos erros e penei bastante pela falta de método e conhecimento. Todavia, todos estes erros também são construtivos e me levaram à experiência, e é exatamente isso que esta Primeira Torre me remete: Aprendizado. Nela, me utilizei das formas poéticas do nosso Romanceiro Nordestino, suas regras, suas rimas e cadências, para exercitar a minha criatividade. Enxergando hoje a imperfeição da construção vejo também a vontade de fazer, de criar e de brincar com toda estrutura.

Nesta Torre, e em todas as outras que publiquei e que publicarei, as histórias são compostas, em sua maioria, do conhecimento oral que me foi repassado por várias pessoas que eu conheci e conheço em minha vida. Em cada folheto deixo claro a minha inspiração ou quem me narrou o fato que foi adaptado para o verso e, claro, aumentado, fantasiado e mitificado. Já em outros casos os folhetos são a junção de várias narrativas ou elementos que constantemente descubro em meus valiosos estudos. Porém, todos os folhetos, todas essas histórias que elaboro, procuram seguir a linha da fantasia, do mágico e do lúdico. Acredito eu que esse é o tipo de narrativa que mais se aproxima do Sonho, então, como é sempre perto dele que eu desejo estar, tento seguir nesta linha. Além disso, a literatura fantástica é o meu tipo de leitura favorita. Então, escrevo o que gosto de ler!

Um folheto desta Primeira Torre, O CAUSO DA MÃE E DA ONÇA OU A CORAGEM E O MEDO EM SANTANA DOS GARROTES, foi premiado na Lei Aldir Blanc de incentivo à cultura no Prêmio Maria Pimentel no ano de 2019, o que me deu um grande orgulho. Não pelo prêmio somente, que foi muito bom, mas pelo reconhecimento de ter um folheto premiado logo no começo desta caminhada literária.

Outro fato muito relevante para um escritor iniciante como eu, é que esta Torre possibilitou a minha entrada no cenário da literatura paraibana, sendo considerada por mim, minha estreia literária. Com ela galguei espaços que antes eu não tinha acesso e nestes espaços senti o abraço e o carinho de leitores que generosamente concluíram o elo entre a mente sonhosa do escritor e a mente curiosa do leitor.

Primeira Torre Externa do Castelo da Curva do Rio

Ao mesmo tempo em que colocava no mundo a Primeira Torre, eu já buscava ideias e as colocava no papel a Segunda Torre Externa do Castelo da Curva do Rio.

O aprendizado constante fornece ao Ser criativo uma fonte quase ininterrupta de produção. E esta mina, este olho-d’água, por sua vez, se alimenta de obras que, assim como a terra, possuem a substância necessária para jorrar no mundo inesgotáveis riquezas. Uma destas riquezas é a obra do incomparável escritor natalense Câmara Cascudo. Posso dizer, sem medo de errar, mas também assumindo todos os erros cometidos na formação desta Segunda Torre, que a principal influência criativa dela vem da leitura de livros como Religião do Povo.

Livro Religião do Povo, de Luís Câmara Cascudo

Falo isso para revelar a outros escritores iniciantes um caminho, entre tantos, que podemos seguir. Um caminho que muitas vezes é renegado ou ignorado, mas que é tão precioso e rico como qualquer outro.

Conforme eu disse um pouco antes, erros foram cometidos e eu espero que na segunda impressão, tanto da Primeira, quanto desta Segunda Torre, eles sejam corrigidos. Todavia, estes erros, que são substancialmente nas formas poéticas utilizadas, não ofuscam o principal: A minha imparável vontade de contar histórias. Sempre que concluo um folheto ou qualquer outra obra, eu sinto saudades dela. Sinto que a brincadeira acabou e que eu preciso fazer mais para sempre estar brincando e me divertindo. É por este motivo que solevo as Torres Externas do meu Castelo, contendo sete folhetos cada uma, por diversão.

Segunda Torre Externa do Castelo da Curva do Rio

É maravilhoso aprender, estudar, reunir e criar a partir de mitos, de outros romances, de estudos, de trabalhos de conclusão, de livros de História e de tantas e tantas outras fontes que, como eu já disse, servem de alicerce para esta ininterrupta produção.

Pode parecer que prezo a quantidade em detrimento da qualidade, pois comentei tantos erros cometidos. De forma alguma isso acontece. Nenhum erro que cometo é intencional! Sou um autodidata, não tenho cursos nem mestres que possam me apontar a fórmula exata de cada fundação. Aprendo majoritariamente com minhas leituras e, infelizmente, com os erros. Assim que os percebo, e esta percepção vem com o aprendizado constante e coma crítica, externa ou interna, os corrijo e tento não errar novamente.

Aquém disso tudo, que são percepções e constatações em grande parte minhas, no ano de 2020, após a publicação desta Torre, fui contemplado novamente na Lei Aldir Blanc de incentivo à cultura com o prêmio Hermano José. O folheto premiado foi A HISTÓRIA DO HOMEM QUE MORREU AJOELHADO, fato esse que considero um “sinal dos astros”, como diria Quaderna. Pois este folheto, por motivos que revelarei posteriormente, faz parte de uma construção muito maior. Sendo assim, nesta Segunda Torre apresento os seguintes títulos em Folheto de Cordel:

  • A EPOPEIA DE PALITO, O INVISIVEL, NO INFERNO
  • A HISTÓRIA DO HOMEM QUE MORREU AJOELHADO
  • A RAINHA-PROFETISA E A ILHA DOURADA DO AÇUDE DE COREMAS
  • GANGÃO E A PROCISSÃO DOS MORTOS
  • NINO SIBITO E A SANFONA QUE NÃO SENTE OS DEDOS
  • O ROMANCE DO CAVALEIRO LUNAR
  • O VÍCIO DO HOMEM OU UM REAL DE PÃO

Folheto premiado

Tanto nesta Torre como na anterior, se o leitor compra o pacotinho com os sete folhetos ele ganha um panfleto com um QRCODE, onde ele vai poder ler no formato digital todos os cordéis. Logicamente, a experiência do papel é inigualável, mas eu acho que é preciso se adaptar e oferecer ao elevadíssimo Leitor a possibilidade de acessar os folhetos em qualquer celular, tablet ou computador. Eu mesmo sou um adepto assíduo da praticidade dos e-reader’s, de formas que não poderia me abster de ocupar este espaço.

Como toda criança que descobre um brinquedo novo e que depois de algum tempo o deixa de lado voltando a sua atenção para um novo e curioso brinquedo, eu deixei um pouco de lado os Folhetos de Cordel e resolvi direcionar a minha atenção para a feitura do meu primeiro livro de poemas: O Alma-de-Gato no Voo da Alvorada.

Primeira Torre Interna do Castelo da Curva do Rio

Este livro representa a Primeira Torre Interna do meu castelo, a Torre-da-Natureza. Buscando a inspiração dos astros e da providência, eu escolho os pássaros, animais místicos e sagrados, para adornar esta torre que conversa essencialmente com o deslumbramento que tenho ao divagar pelos, campos, lajedos, serras e ribeiras da minha Paraíba e do meu Nordeste.

Em suas páginas, nos seus sessenta poemas, eu testei toda profusão de formas poéticas que existem em nosso Romanceiro Nordestino. Entre erros e acertos considero que fiz um bom trabalho e que de certa forma consegui o resultado que esperava: a Originalidade.

Na Segunda Torre Externa, eu comecei a desenhar as capas dos folhetos. Em meio a escrita dos cordéis, lembrei de que, quando criança, eu adorava desenhar e resolvi tentar novamente adulto, simulando, na caneta e no papel, as fantásticas xilogravuras nordestinas. O resultado me agradou e eu decidi que iria também desenhar as gravuras do livro de poemas. Como dito, escolhi os Pássaros para, simbolicamente, representarem a Natureza, todos da nossa fauna paraibana. Dessa maneira, foram para as páginas do livro Pássaros monocromáticos envoltos em círculos que, por sua vez, representam os ciclos eternos e enigmáticos do nosso Cosmos.

Não adentrarei muito no assunto do desenho aqui nesta edição do Periódico Opinioso, pois pretendo abordar este tema na próxima edição. Mas, basta dizer que o estilo xilogravuresco se repetirá por toda minha produção.

Posto isso, gostaria de frisar um elemento que considero de extrema importância: Este livro foi o primeiro livro de poemas do Brasil onde, através de um QRCODE existente em suas páginas, o elevadíssimo Leitor pode escutar ou assistir todos os poemas narrados pelo autor. Muito além desta interação multimídia, acredito que o livro é uma importante ferramenta para acessibilidade daqueles que não podem ler devido à problemas na visão. E deixando avisado de antemão: pretendo repetir essa proposta em todos os livros de poemas que eu publicar.

Dessa maneira, sinto que não me encastelo nos imensos salões de minha Fortaleza, como um velho e decadente rei. Pelo contrário! Acredito que abraçando a tecnologia posso trazer novos visitantes ao meu Castelo e seguir ocupando espaços que, muitas vezes, a tradição perde por não utilizar as novas ferramentas que surgem todos os dias neste mundo tecnológico. Outro ponto que acho bastante relevante para esse “não-isolamento” é entender o mundo que cerca o meu Castelo e, ao invés de repeli-lo, colocar-me ao seu lado. Pretendo sempre utilizar meu contingente de versos-guerreiros para batalhar nas trincheiras morais contra o reacionarismo e todo o atraso evolutivo que ele acarreta. Não acredito numa obra que esteja alheia a esta luta. Desejo que todos se sintam bem-vindos em meu Castelo. Desejo que ele seja um lugar de Sonho e não de segregação, sofrimento e preconceito. Sendo assim, qualquer erro que eu cometa nesse sentido, peço desculpas, pois não são, de forma alguma, erros conscientes!

Um dos Pássaros desenhados para o livro Alma-de-Gato

Já em relação a poética do livro, da Torre-da-Natureza, deixo as generosíssimas palavras professora, escritora e crítica literária Elizabeth Marinheiro, Imortal, que ocupa a cadeira número 20 da Academia Paraibana de Letras:

Conheci o poeta Igor Gregório por meio de poemas incluídos em seu livro “Alma de Gato no Voo da Alvorada”. Desde o Mestrado em Letras e Literaturas aprovado pelo Conselho Federal de Educação (C.F.E), adotado na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e outras instituições, àquela época, que defendo a oralidade clássica presentificada, implícita ou explicitamente nas literaturas.

Folhetos de Cordel, Cantorias, Metrificações polifônicas e outros recursos embalam o “Romance do Pavão Misterioso”, atribuído ao cordelista José Camelo e “O país de São Saruê”, de Manuel Camilo dos Santos, os quais foram adaptados para teatro, filmes, musicais, eventos culturais.

Não posso falar em torno do folhetimismo sem relembra a estética de Ariano Suassuna e seu universal “Romance d’a Pedra do Reino e o Príncipe de Sangue do Vai-e-volta”, ou simplesmente “A Pedra do Reino” – um dos objetivos de “A Intertextualidade das Formas Simples”, estudo datado (Rio de Janeiro, 1977).

Alegrou-me a leitura de “Alma de Gato” e “Paraíba do Norte”, poemas contidos no livro de Igor que, com elegância, confessa ser influenciado diretamente pelo autor de “O Auto da Compadecida”, o que faz sem epigonismo vulgar. A simbologia do castelo, o fantástico nordestino, o vai-e-volta das literaturas estão no “bico forte de Pinto” e na textualidade de Gregório:

“Sou da terra de Ariano,
sou a Paraíba do Norte,
sou Pinto do bico forte
que faz no repente um dano”.

Nenhum “dano” já que a desconstrução escapou de paradigmas conhecidos. “Alma de Gato” é um poema que me compete transcrevê-lo inteiro:

Tenho cá dentro de mim,
um imenso Matagal,
onde assobia ao vento
um Pássaro Romançal.
Ele avoa livre no ar,
me trazendo o meditar,
nesta passagem carnal.

Nomeia-se Alma-de-Gato,
ave do meu gatear!
Bonito feito o Silêncio,
tem as marcas do estradar.
Pois, da sábia Caatinga
ao limiar da Restinga,
ele mostra-me o avoar.

Eu e ele já somos um só
e não há quem diga não!
As suas asas brotam
nas veias do Coração,
e batem, e bombeiam,
Poemas que vagueiam
na minha imaginação!

Ele não está enjaulado,
e sim o oposto, o reverso!
Pois o Céu que ele desbrava
é meu peito aberto em verso.
Ao passo que o meu Céu
é o seu canto de mel,
na vastidão do Universo!

O gato-pássaro voa no matagal tão maravilhoso quanto a sabedoria alquímica. No silêncio das estradas, ele recusa jaulas, busca a liberdade. Seu canto encanta tonalidades telúricas. Suas asas vagueiam e bombeiam as artérias do coração pulsante Desloca-se o eu pra outros lugares, porém, mantém a autonomia.

“Eu e ele já somos um só
e não há quem diga não!”

Não sou eu quem dirá não. É Igor Gregório indivisível. Sendo ele mesmo e o seu duplo. “Somos um só”: não se separa em dois o que é apenas um.

Em relação ao futuro, novas torres estão em andamento. Ainda em 2024, buscando novamente o brinquedo que havia guardado na estante da criação, lanço a Terceira Torre Externa representada por mais sete Folhetos de Cordel:

  • A HISTÓRIA DO SANTO QUE MATOU LAMPIÃO
  • A LINHA DA DECÊNCIA OU TRAGÉDIA DE ÁGABA E SADY
  • A.B.C DO GATO SIVUCA
  • AS AVENTURAS DE JOAQUIM EM BUSCA DO SONO
  • CORAÇÃO-DOS-OUTROS OU A HISTÓRIA DO HOMEM QUE LEVOU CHIFRE DA IGREJA
  • OS IRMÃOS BENLINAR CONTRA O BRUXO DE COXIXOLA
  • PAPEL DE CARTA OU O FOLHETO ENAMORADO

Em 2025 publico meu segundo livro de poemas, a Segunda Torre Interna, o Livro das Carrancas. Já em 2026 pretendo lançar meu primeiro livro de contos, que não será uma torre e sim um cômodo do Castelo da Curva do Rio, o Calabouço. Mais não revelarei, pois, o que há, são mais esboços do que qualquer outra coisa.

Falando de outros cômodos, há ainda as Colunas do Castelo que são representadas no meu Blog (https://igor-gregorio.blogspot.com/) por três colunas onde escrevo sobre cultura com a pena do Passado, do Presente e do Futuro. Há também este Periódico Opinioso do Castelo da Curva do Rio, onde eu trato de assuntos diversos. Por último, mas não sendo o fim, há a Voz do Castelo, representada tanto pelos vídeos que faço para as minhas redes sociais como pelo podcast noticioso, o Podnext, onde declamo semanalmente um novo poema.

Listo todos esses dados sobre o meu castelo literário não para vangloriar por mesquinha vaidade, mas porque acho sinceramente que é necessário que os novos escritores tenham a noção do quanto podemos beber das fontes culturais do nosso povo brasileiro, nordestino e paraibano,e criar a partir delas. Listo isso para entendermos, de uma vez por toda, que a tradição não está ligada ao atraso, que podemos usar todas as ferramentas que a tecnologia oferece para exercitamos nossa criatividade. Listo isso para que todos saibam que nossa cultura está pulsando nas veias do meu Castelo da Curva do Rio.

Sete Torres solevo em meu Castelo,
sete Vidas desenho no meu ser.
Sete Luas, repletas de prazer,
me envolvem formando um grande elo.
Sete Sois, como um sólido martelo,
vão forjando os meus versos sonhadores.
Sete lâminas ferem meus temores
e assim me protegem da mentira.
Sete vezes cantarolo a minha lira
transformando este mundo de horrores.

Sete Torres solevo na esperança,
sete cantos entoo ao sagrado.
Sete anjos, soprando ao meu lado,
me concedem utopia de criança.
Sete sombras, formando uma trança,
vão me dando a potência do pecar.
Sete bocas rogando o praguejar
são a prova que tenho relevância.
Sete vezes senti a vil ganância
invadir e morrer em meu glosar.


Sete estrelas traduzem o meu chão
me guiando no meio dos espinhos.
Sete pedras estão em meus caminhos
embarrando o mal da presunção.
Sete Cães me protegem com paixão
devorando a mazela repetida.
Sete vezes cantei coisa sem vida,
oito vezes julguei minha burrice.
Sete Musasme vertem a crendice
de que posso ser bem mais que a medida.

Sete são os poderes deste mundo,
sete são os topázios desta terra.
Sete Onças são a força e a guerra
ecoando em meu sangue vagabundo.
Sete vezes morei no submundo,
sete joias redimem minha cria.
Sete Males vertendo hipocrisia
eu varei para ter o meu Castelo.
Sete Torres protegem o que é belo
neste reino em que pulsa a poesia!