A alternância de prefeitos nos dias atuais aqui no nosso município tem deixado à população surpresa, mas isso não é algo inédito em nossa história.
Vasculhando documentos antigos encontrei fatos parecidos; pretendo por meio de dois artigos exporem dois momentos históricos onde ocorram lutas pelo poder, afastamentos, denúncias e intervenções do governador da Paraíba no poder executivo de Santa Rita. O primeiro fato ocorreu no início da República e o outro aconteceu na década de 1920, este será abordado no próximo artigo.
Para o aprofundamento histórico sobre esses dois casos utilizei manuscritos inéditos do historiador e cronista Lapemberg Medeiros de Almeida escritos em 1948.
Para criar a freguesia de Santa Rita desmembrada da capital houve um conjunto de pessoas, com interesses parecidos que não durou muito para que esta sintonia logo se perdesse dando lugar a interesses pessoais.
A comissão fez um dossiê sobre o potencial da Vila de Santa Rita apresentado ao presidente da Província da Paraíba (governador), na época era Venâncio Augusto de Magalhães Neiva para que esta se tornasse desvinculada da capital e fora em 09 de março de 1890 pela Lei de nº 10, elevando-a à categoria de Freguesia. Quem estava nessa comissão? Padre Manuel Gersásio Ferreira da Silva, conhecido como Pe. Ferreira, (personalidade influente no âmbito político e social no município de Santa Rita até a sua morte em 1916) o Coronel e dono de engenho Francisco Alves de Sousa Carvalho (que consegui infiltrar-se em vários âmbitos do poder e foi “prefeito” de Santa Rita algumas vezes) e o senador Firmino Gomes da Silveira.
Entretanto, a nova unidade municipal fora administrada por outro conjunto de pessoas. O Conselho de Intendência, cujo presidente é encarregado de dirigir, administrar e nomear os funcionários municipais, criada em 29 de março do mesmo ano pelo presidente da Paraíba e composto por: Antônio Gomes Cordeiro de Melo (Presidente) apoiado por mais dois intendentes: Bento da Costa Vilar e Amaro Gomes Ferraz.
Os desentendimentos ideológicos e administrativos entre o presidente municipal Antônio Gomes e o senhor Amaro Gomes Ferraz fez com que o presidente renunciasse em menos de três meses; o poder executivo da cidade de Santa Rita passou para as mãos de Amaro Gomes Ferraz, segundo prefeito, mas sua administração duraria muito pouco, pois em 15 de julho o Governador da Paraíba, reorganiza o Conselho deixando-o ainda na presidência, porém em 23 de fevereiro de 1891 o governador Venâncio Neiva nomeia para presidência do Conselho de Intendência o cidadão Francisco Alves de Souza Carvalho, terceiro prefeito em menos de um ano. Francisco Carvalho esteve na luta inicial pela emancipação de Sant Rita e não tinha sido inserido no Conselho de Intendência, é a partir daí que começa influência do coronel na política local.
Segundo o historiador Lapemberg Medeiros em seus manuscritos ele descreve o Francisco Carvalho como “Homem de caráter forte, de decisões firmes e espírito de iniciativa, logo se impôs no conceito da opinião pública, conquistando ilimitado respeito no seio das classes sociais da nova unidade municipal, diante do que, ao lado do Cônego Manoel Gervácio Ferreira”.
O Coronel Francisco Carvalho manteve-se influente na política local por longos anos, assim como o Cônego Ferreira, ao ponto de permanecer na nova organização do Conselho de Intendência realizada pelo governador em 07 de abril de 1892. Ele continuou na presidência sendo auxiliado por dois intendentes: Domiciano Lucas de Sousa Rangel e coronel Bento da Costa Vilar.
Em 12 de janeiro de 1893, a freguesia de Santa Rita perde a sua autonomia (Lei nº 09 de dezembro de 1892) fora extinto o Conselho de Intendência, mas a influência política do coronel Francisco Carvalho foi tão grande na política local que ele foi incorporado à Intendência da capital. Mas esse retrocesso da freguesia de Sant Rita não durou muito tempo, meses depois, mas precisamente em 24 de setembro de 1897 o Governador da Paraíba Antônio Alfredo da Gama e Melo repara o erro administrativo por meio dos apelos da população santarritense e da influência do Cônego Ferreira e o coronel Francisco Carvalho, e restaura o município pela Lei nº 79, pois segundo Lapemberg. “O ato, convém ressaltar, já não tinha mais cabimento. Santa Rita já possuía vida econômica própria, riqueza independentemente, vida social organizada. A sua incorporação nada mais era senão uma ofensa aos direitos de independência municipal”.
Depois da recriação do município de Santa Rita, o governador deixa incumbido de responsabilidade o coronel Francisco Carvalho para organizar a Junta Municipal. Esta teria de presidir as eleições municipais de 16 de novembro, onde os membros iriam escolher entre eles o intendente (prefeito) da cidade. A mesa organizadora, sem a participação da população decidiu o novo presidente municipal (Manuel Justino de Andrade) e o vice (Antônio Daniel de Carvalho).
Como se percebe a história de Santa Rita teve vários momentos de alternância de poder executivo em período curto de tempo, assim como retrocessos na categoria da cidade o que confundia muito a população local.
Percebe-se com a história que nada do que está acontecendo é novo.