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Há Vida Além dos Clássicos?

Existem boas leituras de Quadrinhos além de Wacthman e o Cavaleiro das Trevas?

Falando sobre as grandes obras das histórias em quadrinhos — e como já mencionei em outras ocasiões — é inegável que Watchmen, de Alan Moore, Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, e Sandman, de Neil Gaiman, são clássicos absolutos. Dito isso, outra obra que considero tão relevante quanto essas é Planetary, escrita por Warren Ellis — conhecido por seus trabalhos para várias editoras como Marvel Comics, DC Comics e Image Comics — e ilustrada por John Cassaday, que também colaborou com essas editoras. Publicada originalmente pela WildStorm, a série começou a ser produzida na década de 1990 e levou dez anos para ser concluída, sem que esse longo período diminuísse em nada sua grandiosidade. Pelo contrário: considero Planetary uma obra irretocável. Foi, inclusive, a primeira série desse gênero que li, e me marcou profundamente, pois não subestimava o leitor. Pelo contrário, expandia minha percepção sobre os diversos estilos e referências presentes na narrativa.

Mas afinal, do que se trata Planetary? A série explora o universo dos super-heróis sem necessariamente colocá-los como protagonistas. Ao mesmo tempo, funciona como uma homenagem abrangente à cultura pop, trazendo alusões ao cinema, à literatura e, claro, aos próprios quadrinhos. As referências são abundantes: personagens icônicos como Sherlock Holmes, Tarzan, Superman e Capitão Marvel; heróis pulp como Doc Savage; o cinema de Hong Kong; o clássico Cavaleiro Solitário; além de obras literárias de Júlio Verne e Arthur C. Clarke. A narrativa ainda incorpora elementos da mitologia chinesa, tradições aborígenes e diversas lendas urbanas, compondo um mosaico cultural riquíssimo.

Os protagonistas são: Elijah Snow, um homem de idade indefinida com o poder de manipular baixas temperaturas; O Baterista (sim, esse é realmente o nome), capaz de se comunicar com qualquer máquina ou dispositivo eletrônico; e Jakita Wagner, uma mulher de força sobre-humana que, apesar disso, vive constantemente entediada.

À primeira vista, eles podem parecer um grupo disfuncional e sem propósito. No entanto, a química entre os personagens é impressionante. O trio é convocado por uma misteriosa organização internacional chamada Planetary, cuja missão é investigar e desvendar os segredos ocultos e fenômenos paranormais do século XX. Em essência, eles são verdadeiros “arqueólogos do desconhecido”.

Minha primeira leitura da série foi em ordem cronológica, mas com longos intervalos, já que a publicação passou por três editoras diferentes antes de finalmente ser lançada de forma completa e contínua pela Panini. Desde então, a editora republicou Planetary em três formatos distintos: primeiro em quatro volumes; depois em dois volumes em capa dura; e, por fim, em uma edição omnibus — um volume único que reúne toda a série, incluindo materiais extras como o encontro com outros personagens como o Batman e a Liga Da Justiça.

Infelizmente, há pouco mais de um ano, John Cassaday nos deixou vítima de causas naturais, aos 52 anos. Já Warren Ellis sofreu um cancelamento virtual em 2020, acusado de assédio sexual, o que resultou em seu afastamento da indústria desde então. Outra obra importante de Ellis nesse mesmo período foi The Authority, que também teve um grande impacto quando conheci, mas que, ao contrário de Planetary, não envelheceu tão bem. Mas isso já é assunto para outro momento.

Joelson Nascimento
Joelson Nascimento
Formado em Ciências Sociais pela UFPB e Professor de História. Especialista e Sociologia e Direitos humanos em Educação pela UFPB. Apaixonado por Histórias em Quadrinhos, amante da sétima arte e estudante de música.

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