Sou microempreendedor (MEI) desde 2011, três anos após a criação do programa, no segundo mandato do presidente Lula. Se hoje você pode vender para o governo, se pode ter a oportunidade de criar seu próprio emprego, isso também é resultado desse programa.
Dito isso, quero escrever sobre consciência de classe. E não vou escrever sobre o pobre ou o rico. Vou falar sobre o trabalhador.
Por mais que eu seja microempreendedor, eu não sou um grande empresário. Eu sou trabalhador, porque, se eu não trabalhar, não ganho dinheiro. Se não ganho dinheiro, não pago minhas contas. E isso é ter consciência de classe.
Eu vejo muitos trabalhadores, MEI’s e empreendedores autônomos que sonham em crescer, prosperar e conquistar uma vida melhor. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário! Todos nós queremos melhorar de vida.
Mas existe uma diferença entre aquilo que você sonha em ser e a realidade em que você vive hoje.
Os ricos entenderam que conseguem convencer uma parte dos trabalhadores de que eles pertencem à mesma classe social, de que seus interesses são os mesmos e de que, para serem reconhecidos como empresários, precisam pensar como os patrões, defender suas ideias e repetir seus discursos políticos.
E é aí que entra a alienação.
Você começa a defender interesses que nem sempre são os seus, acreditando que está defendendo o seu próprio futuro. Passa a reproduzir padrões ideológicos e políticos de quem vive uma realidade completamente diferente da sua.
Mas sabe o que isso realmente significa? Você pode estar fazendo o jogo de quem tem interesses diferentes dos seus.
Porque, enquanto você está preocupado em pagar as contas no final do mês, existem pessoas que trabalham para retirar direitos dos trabalhadores, enfraquecer políticas públicas e concentrar ainda mais renda e oportunidades.
E eu quero que você faça uma reflexão.
Coloque um espelho na sua frente e pergunte a si mesmo: eu sou um empresário que pode me dar ao luxo de ficar em casa, viajar e continuar ganhando dinheiro sem precisar trabalhar? Ou sou alguém que precisa trabalhar todos os dias para colocar comida dentro de casa?
Se eu parar de trabalhar hoje, por quanto tempo consigo manter minha família?
Essa é a realidade que você precisa enxergar.
Você pode ser MEI, ter seu próprio negócio, contratar pessoas, crescer e até se tornar um grande empresário. Mas isso não muda o fato de que, enquanto sua sobrevivência depender diretamente do seu trabalho, você precisa compreender os interesses de quem vive uma realidade como a sua.
E é por isso que estou falando de consciência de classe.
O meu discurso é para você que é de direita, que tem suas convicções políticas, mas que também é trabalhador, MEI, autônomo e empreendedor.
Eu não estou pedindo que você abandone suas convicções. Estou pedindo que reflita, que olhe para sua realidade e que avalie quem realmente está defendendo seus interesses.
Na hora de votar, não pense apenas na classe social a que você gostaria de pertencer. Pense na vida que você tem hoje, nos direitos que precisa preservar e no futuro que quer construir para sua família.
Avalie qual governo apresenta projetos e resultados para melhorar a saúde, gerar empregos, proteger o meio ambiente, fortalecer os direitos dos trabalhadores e promover o desenvolvimento do país.
Não vote apenas por discurso, por ideologia ou por identificação com quem você gostaria de ser. Analise as propostas, as decisões e a quem elas realmente beneficiam.
Diga não a um governo que, na sua avaliação, prioriza os interesses da própria família, dos mais ricos e das grandes empresas de apostas, enquanto deixa em segundo plano as necessidades de quem trabalha todos os dias para sobreviver.
E, principalmente, não deixe que ninguém convença você de que precisa negar suas próprias condições de vida para fazer parte de uma classe social à qual ainda não pertence.
Eu sou MEI desde 2011. Sou microempreendedor, tenho meus projetos e quero crescer. Mas sei de onde vem o meu sustento: do meu trabalho.
E não tenho vergonha de dizer isso.
Porque consciência de classe não é deixar de sonhar em crescer. É entender a realidade em que você vive, reconhecer seus interesses e não permitir que outras pessoas decidam por você.
Uma coisa é o que você sonha em ser. Outra coisa é a realidade de quem você é hoje.
E é a partir dessa realidade que você precisa decidir o futuro que quer para você, para sua família e para o nosso país.

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