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Pérola Mineira em Ares Santarritenses

Alexandre José Gonçalves Costa, “Xande”, como diria Hertha Cristina Carneiro Sá é um presente recebido. Aos 64 anos, o professor doutor, vem marcando a população santarritense com suas contribuições intelectuais, culturais, artísticas, sociais, pedagógicas e humanitárias. Mais importante que isso – por mais maravilhado que seja – são suas características que impactam cada um dos estudantes que passam pelo seu caminho.

Nascido no interior de Minas Gerais, Alexandre cresceu em um caminho que fluía crescentemente. Afirma que o estudo, a pesquisa, precisa ser compartilhado, dividido. Decidiu ser um historiador, depois de se encantar pela cidade de João Pessoa, disse que foi iluminado misticamente pelo mar de Tambaú, a seguir esses passos. Na infância, pensou em ser médico ou engenheiro, mas acabou encontrando na sua paixão pelas humanidades. Em uma sexta-feira, no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, ouviu de uma colega sobre a possibilidade de passar em um concurso aqui na Paraíba, mesmo sem conhecer o estado, seduzido pela ideia de ver o mar, se tornou professor do IFPB campus Picuí por corridos 7 anos, se adaptando a seca constante da cidade.

“Não tenho essa fissura de ter”, afirma sobre a vida que foi vivida. Estranhou a comida, a cultura e o comportamento, sentiu saudade do movimento, do asfalto e dos prédios em um constante cinza que fazia parte do seu jornaleiro. A proximidade veio depois, com a paixão pelas pessoas, e claro, pelas ondas. “As pessoas e a praia, óbvio”. Fascinado por Dostoiévski, Guimarães Rosa, Scorsese, sua alma de eterno turista compõe um admirador do que existe na mundanidade.

É de uma muitíssima estima, quase que caricata, a coletividade vivenciada por cada um que conheceu durante a estrada que o trouxe até aqui, dentro do mundo acadêmico e fora. Pelo visto, o professor Alexandre construiu uma fraternidade jamais esquecida por quem teve a sorte de cruzar o seu caminho.

Os signos

Quando perguntado sobre seu dilema moral, sua oração que segue carregada no seu peito, respondeu:

“‘Pra mim o mundo tá dando sinal direto ‘pra gente”

Descrente do acaso, acredita que o mundo é um grande signo, afirma enxergar a magia no mundo, e ter um bom olhar para tudo. Sua relação com essa terra vem com a ideia de beleza sujeitada por uma clarividência, não religiosa, da bondade, do afetuoso, do fraterno, do ser em si. Esse é o Deus que acredita.

Para a sociedade, solidariedade. “Acho burro uma sociedade movida por dinheiro, completamente burro”. Observa coisas assustadoras e incompreensíveis sobre o que rege as populações agora. Apesar de ter sido do movimento estudantil, e filiado ao Partido dos Trabalhadores, não se percebe mais compreensivo sobre um convívio movido pela moeda. “Eu tinha uma amiga que falava ‘Alexandre não gosta de dinheiro’, claro que não! Eu gosto de sorvete, de praia, de viajar, ‘pra que que eu vou gostar de dinheiro?”

O engajamento na contestação do mundo veio dos movimentos sociais que marcam a sua perseguição pela criação de uma comunidade. Foi músico, pianista, clubista e cinéfilo, tudo isso em uma coincidência simbólica do que deveria representar a arte para quem nós somos hoje, um coletivo.

Sua dissertação sobre as aulas

Apesar de sempre amar ser professor, diz que não fala mais a linguagem dos estudantes – discordo completamente. Construiu seu relacionamento parassocial afastada dos alunos, pelo que encara como seu jeito. A compreensão sobre o palatável da nova geração é distanciada do que ele consegue desenvolver.

Como alguém que foi estudante do professor, deixo aqui registrado que, claro que há muito mais a ser dito por ele do que o que poderia ser ouvido hoje. Infelizmente nada é atemporal.

A necessidade tecnológica da juventude lhe é chocante, enxerga a dependência deste mundo virtual como inimiga da criação de seres pensantes. Sua visão individual julga o ensino como um passo já atravessado na carreira que constituí quem é. O percurso mudou seu destino, que os signos determinam. Dissertou sobre o desejo de escrever, registrar, viajar e vislumbrar o acadêmico. Gostaria de prestar o Pós-Doutorado em Sergipe, como um objetivo futuro crescente.

A mensagem

A minha finalização a esse texto, baseado em um momento de entrevista que me parece inesquecível, e que infelizmente foi terminável, perguntei o que diria um homem que viveu tanto a alguém que começou agora a tentar o jogo da alma vivida. Só com uma palavra me disse o que vejo como uma filosofia própria compartilhada como quase um soneto para alguém tão desprevenida como eu. Uma orientação cega de um guia misterioso, um sonho delirante poético:

“Sigamos.”

Talvez a mensagem seja apenas uma reafirmação de que enquanto caminharmos haverá futuro, enquanto lutarmos haverá coletivo, e enquanto seguirmos, seremos humanos. Talvez seja apenas o início de uma oração tão pessoal que mesmo desembaraçando as palavras corridas deste texto eu consiga exatamente identificar. Ou pode significar somente e unicamente seguir. Encerro então com essa breve conotação poética:

Sigamos, então.

Liz Oliveira
Liz Oliveira
Conhecida como @mulherdojazz — é estudante de Jornalismo da UFPB, apaixonada por expressão artística, escritos, registros visuais e vivências cotidianas.

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