InícioColunaDiário de uma mãe de primeira viagem – parte I

Diário de uma mãe de primeira viagem – parte I

Sempre ouvi dizer que “Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe”. Perdoe-me o autor da frase, mas eu tenho que discordar e corrigir um pouco.

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe com medo de não saber cuidá-lo; de não amamentar; de não discernir o choro de fome do de dor; de quebrar os ossinhos daquele corpo tão frágil na hora de pegá-lo ou no momento de dar banho; de “perder” a vida que tinha, por viver em função daquela que acaba de chegar; de falhar; e, simplesmente, de não conseguir. E, em algumas situações, pode até nascer uma mãe com depressão pós-parto (como foi o meu caso).

Uma mãe nasce a cada dia, a cada troca de fralda, a cada choro (dela e do bebê). Nasce a cada noite mal dormida, a cada amamentação (do peito ou da mamadeira, não importa), a cada banho de cinco minutos que ela consegue tomar.

Uma mãe nasce a cada ida ao berço para saber se o bebê está respirando, a cada conselho que recebe sem ter pedido, a cada privação de sono, a cada dor ao ver a agulha da vacina e a cada desespero nos engasgos.

Uma mãe nasce a cada tentativa de acerto, e a cada erro e lição aprendida dele também. E quando a mãe acha que já aprendeu tudo, vem a vida mudar as lições e apresentar novos desafios e ensinamentos.

Diferentemente do que fotos ou posts em redes sociais podem mostrar, a maternidade é dura e dolorida. É cabelo atrapalhado ou preso do jeito que dá, é pele suja sem maquiagem porque não dá tempo, é pijama porque se quer conforto, é comer salgadinho em vez de comida porque é mais rápido.

Sim, a maternidade é mesmo linda, é doação, é amor. Mas é, sobretudo, entrega, dedicação e também descoberta.

A mãe descobre que aquilo que ela gostaria não sairá como ela planejou. Que tudo o que ela imaginou não chega aos pés da realidade que ela experiencia. Que a maternidade é um misto de sentimentos e emoções. E ela descobre que ela não sabe nada, e está tudo bem! Porque ela está ali para ensinar aquele novo ser a trilhar o caminho do bem e ser luz para consertar um mundo que anda com tanto defeitos. Mas ela está ali também para aprender com ele.

Por isso, quando nasce um bebê, na verdade, nasce uma mãe em construção. Porque a maternidade é trilhar o caminho do aprendizado, no qual só se aprende na prática. É se formar e se construir! E a primeira coisa que aprendi, contrariando a culpa que carregamos (que parece vir no combo com o bebê), é que, por mais que eu deseje, nunca conseguirei ser a mãe que eu sonho para o meu filho, mas busco, a cada dia e instante, com meu amor e minhas limitações, ser a melhor que eu consigo.

E, no momento, é esta a minha definição: sou uma eterna mãe em aprendizado. Pois, quando nasce um bebê, nasce, na verdade, uma mãe em construção!

Simone Habel
Simone Habel
Simone Habel: Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo. Pós-graduada em Comunicação Empresarial e em Gerenciamento de Projetos. Tem experiência como assessora de imprensa e comunicação, redatora e revisora. Jornalista voluntária no Instituto Down 2000 e mãe de um lindo rapazinho