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domingo, 20 setembro , 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem – parte I

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Sempre ouvi dizer que “Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe”. Perdoe-me o autor da frase, mas eu tenho que discordar e corrigir um pouco.

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe com medo de não saber cuidá-lo; de não amamentar; de não discernir o choro de fome do de dor; de quebrar os ossinhos daquele corpo tão frágil na hora de pegá-lo ou no momento de dar banho; de “perder” a vida que tinha, por viver em função daquela que acaba de chegar; de falhar; e, simplesmente, de não conseguir. E, em algumas situações, pode até nascer uma mãe com depressão pós-parto (como foi o meu caso).

Uma mãe nasce a cada dia, a cada troca de fralda, a cada choro (dela e do bebê). Nasce a cada noite mal dormida, a cada amamentação (do peito ou da mamadeira, não importa), a cada banho de cinco minutos que ela consegue tomar.

Uma mãe nasce a cada ida ao berço para saber se o bebê está respirando, a cada conselho que recebe sem ter pedido, a cada privação de sono, a cada dor ao ver a agulha da vacina e a cada desespero nos engasgos.

Uma mãe nasce a cada tentativa de acerto, e a cada erro e lição aprendida dele também. E quando a mãe acha que já aprendeu tudo, vem a vida mudar as lições e apresentar novos desafios e ensinamentos.

Diferentemente do que fotos ou posts em redes sociais podem mostrar, a maternidade é dura e dolorida. É cabelo atrapalhado ou preso do jeito que dá, é pele suja sem maquiagem porque não dá tempo, é pijama porque se quer conforto, é comer salgadinho em vez de comida porque é mais rápido.

Sim, a maternidade é mesmo linda, é doação, é amor. Mas é, sobretudo, entrega, dedicação e também descoberta.

A mãe descobre que aquilo que ela gostaria não sairá como ela planejou. Que tudo o que ela imaginou não chega aos pés da realidade que ela experiencia. Que a maternidade é um misto de sentimentos e emoções. E ela descobre que ela não sabe nada, e está tudo bem! Porque ela está ali para ensinar aquele novo ser a trilhar o caminho do bem e ser luz para consertar um mundo que anda com tantos defeitos. Mas ela está ali também para aprender com ele.

Por isso, quando nasce um bebê, na verdade, nasce uma mãe em construção. Porque a maternidade é trilhar o caminho do aprendizado, no qual só se aprende na prática. É se formar e se construir! E a primeira coisa que aprendi, contrariando a culpa que carregamos (que parece vir no combo com o bebê), é que, por mais que eu deseje, nunca conseguirei ser a mãe que eu sonho para o meu filho, mas busco, a cada dia e instante, com meu amor e minhas limitações, ser a melhor que eu consigo.

E, no momento, é esta a minha definição: sou uma eterna mãe em aprendizado. Pois, quando nasce um bebê, nasce, na verdade, uma mãe em construção!

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Simone Habel
Simone Habel
Simone Habel: Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo. Pós-graduada em Comunicação Empresarial e em Gerenciamento de Projetos. Tem experiência como assessora de imprensa e comunicação, redatora e revisora. Jornalista voluntária no Instituto Down 2000 e mãe de um lindo rapazinho de três anos.

24 COMENTÁRIOS

  1. Lindo texto…Um alerta para a cobrança da perfeição da beleza …da mulher….mas agora nasceu a mãe ….pra sempre. Parabéns tudo muito bem colocado…Simone mãe…

  2. Interessante a matéria, não sou mãe mas achei muito legal para nós pais entenderemos um pouco mais do que é ser mãe e principalmente esse momento da maternidade. Quando meu filho nasceu eu não era nenhum menino, tinha 39 anos e acredito não ter tido a sensibilidade necessária para compreender esse momento da minha esposa.

  3. Eu também acho que nunca vou conseguir ser a mãe que eu sempre sonhei pra minha filha. Mas ela me ensina tanto… uma das coisas que aprendi é que eu não preciso ser a mãe que eu sonhei, mas sim a mãe que a minha filha precisa que eu seja. E assim vamos seguindo; eu ensinando ela a crescer e ela me ensinando a ser quem eu devo ser. Simone, você é uma mãezona, pode ter certeza!

  4. Lindo texto! Ser mãe é uma dádiva,com todas as suas batalhas e conquistas. Isso será eterno. Tem momentos que erramos,mas estamos sempre tentando fazer o nosso melhor!! Amei parabéns pelas belas palavras!!!

  5. Simone, parabéns pelo texto! Somos todas mães em aprendizado, não importa a idade de nossos filhos. Mas você também é um exemplo como mãe.

  6. Caiu uma lagriminha aqui… Sou mãe de segunda viagem depois de 20 anos e ainda continuo em construção. Amo ser mãe, é maravilhoso, mas também é cansativo e solitário. Por isso, é um conforto ler uma experiência real, sem os filtros de redes sociais que romantizam demais a maternidade….

  7. Bela reflexão! Viver é um eterno aprendizado e os filhos nos propiciam esse crescimento e essa troca de experiências. Nem tudo são flores, até porque educar requer um equilíbrio, nada fácil, entre firmeza e doçura. Parabéns pelo texto e pela sinceridade!

  8. Exatamente, isso, Simone. A maternidade é um grande desafio, a gente se cobra e se culpa o tempo todo, na busca por uma perfeição que não existe. Que a gente não se perca nessa busca e que possamos contemplar o belo caminho ao longo desses tropeços e acertos. Beijos, querida.

  9. A vida é um eterno aprendizado, em todos os seus mais variados sentidos e, por isso mesmo, esse texto se faz de tanta relevância, pois se cair, levante e se errou, procure melhorar como pessoa acima de tudo!

  10. Parabéns Simone. Você está fazendo da maternidade um aprendizado de vida. E deve ser assim mesmo. Como pai também posso dizer que me reconstruo todos os dias e aprendo talvez mais do que ensino.

  11. Não sou mãe, mas entendo perfeitamente oque você relata e acho super interessante esse seu depoimento em relação a não se julgar perfeita só por ser “mãe”.
    Parabéns Simone Habel! Sábias palavras! Que Jesus te abençoe nessa caminhada, de ser mãe e a melhor colunista de todos os tempos!

  12. Você falou de mim?? Siimmm!! Descreveu todo o meu sentimento e pensamento sobre maternidade. É isso mesmo, errando e acertando, mas dando o nosso melhor!
    Parabéns Minha amiga!

  13. Si, amei o texto, principalmente porque ele é franco e sensível. A maternidade é, antes de tudo, renúncia, né? Com certeza, vou acompanhar todas as postagens e compartilhar também. Sucesso!!!

  14. Da maternidade pra vida, eis um texto que além de nós acolher, sacode e disperta pra constatação de que tudo é um processo. Somos o caminho. Parabéns. São ponderações esplêndidas como a Si sempre tem buscado ser no trajeto.

  15. É isso aí. A gente faz uma lista de condições para o exercício do nosso papel na maternidade. Aí vem a realidade e nos joga um balde de água daqueles que despertam no susto. Mas quando a gente aprende que é assim que é, e pronto, fica tudo mais simples, mais lindo, mais forte. Não é fácil, mas é compensador. Parabéns pelo texto e pela visão sincera que ajuda a acalmar o coração de todas nós, pois percebemos que há uma rede de apoio e que podemos contar com ela.

  16. Muito obrigada a todos pelo carinho e pela participação. 🙂
    Fiquei lisonjeada por vocês terem fornecido um pouquinho do tempo de vocês (que sei o quanto é precioso) para acompanhar minhas palavras e meu “diário”.
    Que bom saber que tantas mamães se identificaram também.
    A vida é aprendizado; e a maternidade, também. 🙂

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