
O espetáculo solo paraibano “Meu Eu” se consagrou como um dos grandes destaques do XXIII Festival FACE de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, ao conquistar quatro prêmios e ser indicado em outras três categorias. A apresentação, que aconteceu em 24 de julho, reafirmou a força da arte nordestina. A premiação, realizada em 28 de julho, consagrou a produção com os troféus de Melhor Espetáculo, Melhor Cenário, Melhor Sonoplastia e Melhor Direção na categoria Solo Nacional.
Reconhecimento e potência ancestral
Com uma proposta cênica que mergulha na ancestralidade e na resistência cultural, “Meu Eu” emocionou o público e a crítica. O espetáculo também recebeu indicações nas categorias de Melhor Maquiagem, Melhor Figurino e Melhor Intérprete, reforçando a excelência técnica e artística do trabalho.

Inspirado nas histórias da avó do ator Robson Oliver, protagonista do espetáculo, o monólogo é uma jornada de volta às memórias de infância, revisitando brincadeiras no quintal, cheiros de ervas e os ensinamentos que moldaram sua vida. Em cena, Robson traz a figura materna, suas raízes e a sabedoria ancestral, oferecendo uma experiência profunda e transformadora para a plateia.
A força do Coletivo “Rebu” e da produção independente
O espetáculo “Meu Eu” é uma das criações do Coletivo Rebu, uma iniciativa artística que nasceu com a missão de exaltar as vozes e as trajetórias de pessoas negras, especialmente do Nordeste. O coletivo surgiu como uma resposta ao silenciamento histórico, buscando fortalecer a memória, a espiritualidade e as narrativas ancestrais por meio da arte.
A produção contou com o apoio da Rebu Entretenimento, liderada por Danny Barbosa, uma mulher trans negra, que tem desempenhado um papel fundamental no cenário cultural paraibano. O projeto também teve a direção e produção de Sidney Ruffino e Alexandra Oliveira.
A viabilização da participação no festival foi possível graças a um financiamento coletivo, através de rifas, que contou com o apoio direto do público. Esse movimento demonstrou o engajamento e a importância da comunidade na sustentação e sucesso de iniciativas culturais independentes.
Trajetória de conquistas e futuros projetos
Além de “Meu Eu”, o Coletivo Rebuliço já construiu um repertório diverso e potente, que inclui:
- “Baraketu”: Espetáculo que explora a dimensão filosófica e espiritual de Exu dentro das tradições de matriz africana.
- “Cálice”: Monólogo de Sidney Ruffino que investiga as feridas coloniais e o corpo como um território de cura.
- Contos em Yorubá para crianças: Uma iniciativa de preservação cultural que aproxima as novas gerações da língua e da mitologia africana.
Com raízes firmes na Paraíba e no Nordeste, o espetáculo “Meu Eu” continua celebrando conquistas e reafirmando a potência da arte como uma ferramenta de expressão, memória e transformação.
