Acredito que quase todo o mundo já sabe, mas estreou recentemente nos cinemas o novo filme do Superman. Este é o sétimo filme oficial do personagem desde a versão clássica de 1978, escrita por Mario Puzo e dirigida por Richard Donner, com o eterno Christopher Reeve no papel do Homem de Aço.
Pois bem, antes mesmo da estreia, as informações sobre esse novo filme já circulavam por praticamente todos os portais de notícias do mundo. Para os fãs do universo geek ou para os cinéfilos, essa estreia foi um evento mundial: cinemas lotados e uma grande expectativa por parte do público em relação a essa nova versão do personagem mais importante da cultura pop, agora sob a visão do aclamado diretor e roteirista James Gunn.
Uma das críticas que mais escuto e leio é que esse gênero de filme de super-heróis já está saturado. Em parte, entendo — e até concordo — com essa afirmação. Ao mesmo tempo, depois de toda essa trajetória, tanto do personagem em questão quanto do próprio gênero no cinema, me faço a seguinte pergunta: ainda precisamos de um Superman?
A minha resposta é: sim! Precisamos de inspirações e motivações que nos mostrem, seja através do cinema ou de qualquer outra forma de arte, que certos valores e virtudes ainda devem servir como exemplo de conduta no nosso mundo real, com pessoas reais, no nosso dia a dia. Mesmo que essas inspirações venham de um personagem fictício chamado Kal-El — ou Superman.
Partindo desse princípio: quem nunca, quando criança, se inspirou na conduta ou no exemplo de alguém próximo? Um parente, um professor ou até mesmo um super-herói que voa ou escala paredes? As inspirações e influências que muitas vezes carregamos para a vida toda costumam surgir nesse período da infância.
Sobre o filme: o Superman de James Gunn em quase nada lembra a versão anterior, dirigida por Zack Snyder. Esta nova versão do personagem não carrega o fardo de ser o Superman. Pelo contrário, ele abraça essa responsabilidade como um propósito de vida. É alguém que tem como principais virtudes a esperança, a empatia e a compaixão — valores que o personagem transmite o tempo todo durante o filme, seja salvando pessoas, tomando conta de um cão ou se envolvendo em conflitos em países fictícios do Oriente Médio.
Além disso, o filme aborda questões políticas e sociais relevantes, com a genialidade de construir uma narrativa que não cai na armadilha de ser panfletário, ao mesmo tempo em que provoca uma reflexão sutil sobre esses temas. E, nesse sentido, o Superman se mostra tão — ou até mais — humano do que qualquer um de nós.
O Superman de James Gunn é a representação de um imigrante em um planeta que escolheu como seu lar, mas que, por conta de uma estratégia de manipulação midiática, passa a ser visto como ameaça de uma hora para outra, num mundo condicionado pela influência da mídia e das redes sociais. Um tema bem pertinente, considerando o atual cenário político dos Estados Unidos da América e a influência que as redes sociais exercem em nossas vidas.
Ou seja, qualquer semelhança com a manipulação da opinião pública por meio dos algoritmos das redes sociais não é mera coincidência. A genialidade do filme está justamente na forma como esse e outros temas são desenvolvidos sem ofender aquele público mais “crítico” e “exigente”, que costuma enxergar uma suposta “agenda woke” em qualquer produção que apresente questões políticas e sociais.
Em tempos de desinformação, polarização política e descrédito na humanidade, o Superman de James Gunn é mais do que um simples entretenimento de pouco mais de duas horas no cinema. É a utilização da arte e da fantasia como instrumento de inspiração. Porque, no fim das contas, o personagem pode ser fictício — mas os valores são reais e necessários.
