FOTO: Estúdio Viégas

O desenvolvimento das festividades carnavalescas coincide com o crescimento do futebol em Santa Rita, que aconteceu durante a década de 1920, com o surgimento dos clubes esportivos: Santa Rita Foot Ball Club, de 1924 e Tibiri Recreativo Esporte Clube criado entre os anos de 1926 a 1927, pois, os clubes recreativos focavam no futebol, mas também tinham seus espaços carnavalescos.

Em minhas pesquisas sobre o grande agente cultural de Santa Rita, Jaime Lacet, tive conhecimento do Recreio da Mocidade, criado em 1924 por ele e seus amigos, Jaime Aristides Ferreira e Luís Soares, mas desconheço se este clube teve algum bloco carnavalesco.

Em 1937, foi fundado o Comercial Recreativo Esporte Clube, representado pelas cores branca e vermelha, cuja sua sede ficava na antiga rua Djalma Dutra, atual Rua São João. Depois de um curto período de tempo, ela foi extinta. Antigos frequentadores e admiradores do futebol se reuniram para reativar este clube, porém com outro nome, agora Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, acrescentando a cor preta junto das antigas. Este clube teve um bloco de carnaval, no entanto durou pouquíssimo tempo. O Santa Cruz foi oficializado somente em 15 de abril de 1939, voltando-se mais para o futebol. Mas, os carnavais iriam crescer nas décadas seguintes.

No ano de 1943, o carnavalesco Alfredo havia chegado de Recife e, aqui em Santa Rita, fundou a Sociedade Recreativa Carnavalesca Lira Vencedora, com as cores verdes e brancas, que teve a colaboração de Jaime Lacet.

Já no ano de 1947, foi criado o bloco Os Piratas do Santa Cruz, destacando as cores do clube: vermelha, preta e branca. Outro bloco de piratas também foi criado no ano de 1959, pela Rádio Clube de Santa Rita, Os Piratas do Momo de cores amarela, preta e branca. Seus ensaios foram transferidos da sede para o salão do Guarani Esporte Clube e, por este motivo, o nome modificou-se para Pirata do Guarani.

Ainda na década de 1950, mais precisamente no ano de 1952, fundaram a Escola de Samba Sapato de Pobre é Tamanco, criado por Nunu e deixando sob a direção do seu irmão Faustino do Nascimento (Tatá). Em 1959, a escola ganhou o primeiro lugar no carnaval de João Pessoa.

No ano de 1958, foi fundado o Industrial Recreativo Esporte Clube, com sede na Vila Operária Tibiri, criando um bloco carnavalesco também com cores vermelhas e brancas.

O auge desses blocos carnavalescos foi durante o governo de João Crisóstomo, em 1958, onde todos os blocos desfilaram nas principais ruas de Santa Rita. Segundo o autor José de Arimateia Alves de Santana, em seu livro Santa Rita e seus vultos folclóricos, o declínio dos blocos acontecem após a saída de João Crisóstomo do poder, no ano de 1959. No ano seguinte houve um grande temporal e os blocos não se apresentaram, apenas batucadas em cima de caminhões e, no ano de 1964, em que o Brasil sofreu o golpe militar, este foi o ano das últimas apresentações.

A cidade teve muitos blocos além destes citados nesta matéria, também havia: Chiquita Bacana, Sempre Viva, O sumura, O Passo da Ema, Os Intocáveis, o Cebolinha, o Filopança, os Roupeiros, o Racha Peito, os Charleiras, Boêmios da Vila Operária, os Morcegos, entre outros. Aos poucos, tentam resgatar esta tradição de blocos que, infelizmente, não perduram por muitos anos, pois para que uma expressão cultural permaneça e se torne uma tradição marcante em qualquer cidade do país, é preciso o incentivo dos poderes públicos como mantenedor cultural.

Ao final de tudo o que importa é a tentativa de se divertir e fazer as pessoas recordarem os bons carnavais.

Siéllysson Francisco

FONTE DE PESQUISA: SANTA RITA E SEUS VULTOS FOLCLÓRICOS, VOLUME ÚNICO e SANTA RITA EM MEMÓRIAS, ambos do autor José de Arimateia, que utilizou como fonte para seu trabalho a oralidade.

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