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domingo, 20 setembro , 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem – parte II

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Há alguns dias, estava assistindo a um programa na TV, em que o personagem, um chef de cozinha, falava mais ou menos assim: “Um prato é como uma sinfonia, em que cada ingrediente é um instrumento musical”.

Achei poético. Na hora, pensei: “Já ser mãe é ser como um zoológico, em que cada situação ela se transforma em um animal”. É verdade!

Já começamos na hora do parto. “Normal” ou cesáreo, precisamos ser fortes como um elefante para aguentar as dores físicas e até as emocionais (como foi o meu caso, quando recebi, naquele instante, a notícia de que meu filho tinha síndrome de Down e que precisaria ir para a UTI a fim de lutar bravamente pela vida, como, felizmente, ele fez).

Em seguida, nos primeiros dias, viramos uma galinha. Ah, tudo que queremos é colocar nosso filhotinho debaixo de nossas asas e protegê-lo: dos problemas, das maldades e do mundo, que, às vezes, insiste em ser tão cruel.

Também nos transformamos em abelhas, aquelas que nunca dormem, já que as amamentações e os chorinhos não deixam. Aliás, a privação de sono vira uma companheira fiel. Bebês ou adultos, não dormimos enquanto não tivermos a certeza de que eles estão seguros e dormindo também.

Então, vem o animal de que mais gosto: o leão. Somos leoas, corajosas e valentes, quando queremos defender nossos filhotes (ai de quem ousar ameaçar nossa cria!).

E tem o “bicho-preguiça” também, que de preguiça não tem nada. Apesar de sermos consumidas pelo cansaço da criação dos filhos (seja bebê, criança ou adolescente) e querermos desfrutar de uma descanso merecido, sempre encontramos forças para continuar. Somos como gorilas, que conseguem carregar até 10 vezes seu próprio peso – e nós, mães, carregamos muito: as alegrias, as conquistas, as vitórias, mas também as dores, as preocupações, o medo e a culpa de estarmos falhando.

O tempo corre, os filhotes vão ficando mais velhos. E como uma boa mãe ursa-parda, o que queremos é que nossos filhos também sejam um da espécie: mesmo depois de crescer, o urso-pardo fixa a sua toca em um local perto da mãe, não a abandonando jamais! Como tememos este momento de “entregar” o filho ao mundo (e acho que é por isso que um pedido que nunca sai da boca das mães é: “tempo, vai mais devagar!”).

Mas, dentre todos os animais, e apesar de todos os desafios e as dificuldades, o melhor ainda é ser o humano, na qual só nós podemos, realmente, experimentar e vivenciar esta entrega, este fato de esgotar todas as nossas forças e de conseguir renová-las com aquele sorriso e abraço que só nossos filhotes conseguem nos ofertar no fim do dia. De saber que tudo vale a pena por, com e para eles. De não conseguir explicar em palavras esse amor (mas quem disse que precisa? É tão bom apenas senti-lo).

E você? Que animal tem sido ultimamente?

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Simone Habel
Simone Habel
Simone Habel: Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo. Pós-graduada em Comunicação Empresarial e em Gerenciamento de Projetos. Tem experiência como assessora de imprensa e comunicação, redatora e revisora. Jornalista voluntária no Instituto Down 2000 e mãe de um lindo rapazinho de três anos.

6 COMENTÁRIOS

  1. Foi muito brilhante a construção de vários animais dentro de uma mãe. E, humanos, temos a vantagem de sermos uma colcha de retalhos, ou melhor, um zoológico, agregando tudo. É de se orgulhar de estarmos sempre em processo, em aprendizado.

    Parabenizo a autora por ter um olhar verdadeiro e reconfortante. Ela é SInônimo de encanto.

  2. Sensacional! Fico esperando ansiosa por cada texto da Simone, pq ela traduz tão facilmente essa arte de ser mãe, nos divertindo e nos despertando para esse universo tão misterioso!!!

  3. Ah, amei o texto, Si. Ainda hoje comentava com meu irmão a minha vontade de ler um livro sobre todos os animais, porque eles são uma manifestação divina, não é mesmo? E você reuniu um belo zoológico nessas linhas tão preciosas. Cheguei a me emocionar aqui. Parabéns e já doida para ler o terceiro texto.

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