O Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha em janeiro de 1942, no contexto da Segunda Guerra Mundial, como parte de um movimento mais amplo de rompimento com as potências do Eixo. Esta ação, impulsionada pelo governo de Getúlio Vargas, precedeu a declaração formal de guerra em agosto de 1942, após ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros.
Após o rompimento diplomático, o governo de Getúlio Vargas implementou medidas para fortalecer a posição do Brasil ao lado dos Aliados, incluindo o fortalecimento da campanha nacionalista e proibição da língua alemã, a declaração de guerra à Alemanha e Itália, e a participação na criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) com apoio dos EUA, o que consolidou a sua hegemonia na América Latina e a participação na Segunda Guerra Mundial.
Depois do rompimento e a consequente declaração de guerra à Alemanha, o governo de Vargas intensificou a perseguição a imigrantes alemães, italianos e japoneses, vistos como suspeitos de colaboração com o inimigo. Houve um aumento do preconceito, com o governo adotando políticas arbitrárias de controle, como o fechamento de associações e meios de comunicação de imigrantes, a proibição de seus idiomas e a detenção e deportação de muitos indivíduos. Empresas e propriedades desses grupos foram afetadas e a vida cotidiana foi marcada por restrições.
Durante o governo de Getúlio Vargas, o combate ao nazismo pela polícia brasileira incluiu a vigilância e investigação de grupos simpatizantes, a repressão de atividades de propaganda nazista e a infiltração em organizações suspeitas. Após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a polícia também ajudou a confinar cidadãos de países do Eixo, como alemães e italianos, em campos de concentração, além de coibir a circulação de símbolos nazistas.
A espionagem alemã no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial atuou através de redes organizadas e informantes individuais, incluindo brasileiros e imigrantes alemães, que recolhiam e enviavam informações sobre política interna, portos, aeroportos e movimentações navais aos nazistas. Utilizaram-se de dissimulação, como tinta invisível, códigos telegráficos e endereços falsos, para transmitir dados que foram desmantelados por uma investigação policial, culminando na prisão de inúmeros espiões.
Na Paraíba, como em todos os estados da federação, a polícia civil, obedecendo as diretrizes da Polícia Civil do Distrito Federal, deu início a uma campanha sistemática de vigilância e monitoramento dos estrangeiros que viviam no Estado. Esse papel coube a Delegacia Especial de Segurança Política e Social, (DEOPS), através de sua Delegacia de Estrangeiros, e também pelas suas seções de Ordem Política e Ordem Social.
A vigilância se intensificou também junto a população que não era de origem alemã, mas que exaltava e glorificava as vitórias alemães durante a guerra. Denúncias que chegavam à Chefatura de Polícia, vindas do interior do estado eram checadas e investigadas pela Delegacia de Ordem Política e Social chefiada na Paraíba pelo Dr. Ivaldo Falconi.
Dando continuidade as diligências visando identificar e prender pessoas suspeitas de flertarem com o nazismo, o jornal A União publicava em sua edição de 23 de maio de 1942, mais uma diligência da Delegacia de Ordem Política e Social. A matéria do jornal tinha o seguinte título (Link para edição do Jornal):
NA POLÍCIA
CONTINUA O COMBATE AOS “QUINTA-COLUNAS”
DELEGACIA DE ORDEM POLÍTICA E SOCIAL
“Durante o dia de ontem em continuação ao combate aos germanófilos, o sr. Serra Júnior, encarregado da Seção de Segurança Política da Delegacia de Ordem Política e Social, expediu mandado de prisão para os quinta-colunistas Oscar Monteiro de Paiva, comerciante paraibano, 32 anos de idade, residente em Santa Rita, e Severino Lourenço de Figueiredo, comerciante paraibano, com 35 anos, residente à rua do Rio 648, em Santa Rita.”
Esses comerciantes que residiam em Santa Rita, foram denunciados a polícia civil por estarem em seus estabelecimentos comerciais, fazendo propaganda política em favor da Alemanha nazista, exaltando os feitos de vitória do líder alemão Adolf Hitler, o que era terminantemente proibido por lei.
Ambos foram levados para a Chefatura de Polícia da Capital, localizada na rua Duque de Caxias e lá foram severamente interrogados e logo em seguida foram processados por crime de exaltação do valor do soldado nazista.
Era, portanto, esse o clima político na Paraíba e em todas as cidades do estado nos anos que precederam a Segunda Guerra mundial.

Fonte – Santa Rita Antiga
