O Quarteto Fantástico é uma equipe de super-heróis criada originalmente para as histórias em quadrinhos em 1961, por Stan Lee e Jack Kirby. A dupla, como de costume, inseriu certo realismo e humanidade na criação desses personagens, já que foi o primeiro grupo de super-heróis formado por uma família.
De lá para cá, já se passaram quase 64 anos desde a criação do grupo, que começou nas páginas dos quadrinhos e, com o tempo, migrou para os desenhos animados e as telas de cinema. Como era comum nas histórias de super-heróis da década de 1960 — especialmente na Marvel Comics — os heróis adquiriam seus poderes por meio da exposição à radiação ou a efeitos cósmicos. No caso do Quarteto Fantástico, trata-se de quatro astronautas que, durante uma viagem espacial, foram atingidos por radiação cósmica e ganharam superpoderes.
Inicialmente, o grupo foi formado pelo Sr. Fantástico, a Mulher Invisível, Tocha Humana e O Coisa. Ao longo dos anos, a equipe passou por algumas mudanças de formação, com a entrada temporária de outros personagens, como a Mulher-Hulk, a Mulher-Coisa e Luke Cage. Ainda assim, o aspecto familiar do grupo sempre foi mantido, preservando a relação de parentesco e afeto entre os membros — incluindo o nascimento dos dois filhos do casal Reed Richards e Sue Storm: Franklin e Valéria.
Pois bem, o meu primeiro contato de leitura com esses personagens foi ainda na infância, mais precisamente em 1986, quando minha avó me deu de presente a revista Grandes Heróis Marvel número 12, publicada pela Editora Abril. Era uma revista em formatinho, escrita por Marv Wolfman, com desenhos de John Byrne e Joe Sinnott. Na história, para salvar a Terra, o Quarteto Fantástico parte em busca de um novo arauto para Galactus, o devorador de planetas. Recentemente, essa história foi republicada — e está na minha coleção.
O filme que chegou aos cinemas no último dia 23 é a terceira adaptação oficial para o cinema — desconsiderando uma versão dos anos 90 que nunca chegou a estrear oficialmente. E, nesse contexto, você pode me perguntar: “É mais um filme de super-heróis?” Eu respondo: sim, é mais um filme de super-heróis. E acredito que virão muitos outros, enquanto essa indústria continuar gerando lucro para quem a produz. Considerando isso, fiquei muito satisfeito com o resultado.
A direção de Matt Shakman mostrou que ele entende a essência que constrói esse grupo. Como fã assumido desses personagens, encontrei no filme tudo aquilo que sempre gostei nas minhas leituras: a relação familiar do grupo, a aventura, a exploração de outros universos e a ficção científica. Um genuíno filme de sci-fi.
Pedro Pascal, com aquela aparência irreconhecível, conseguiu me convencer como o Senhor Fantástico. Vanessa Kirby, no papel de Sue Storm, transmite a seriedade e a confiança de quem é o alicerce do grupo/família. Já a dupla Johnny Storm e Ben Grimm, interpretada por Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach, é essencialmente carismática — tanto juntos quanto separados. E o robozinho H.E.R.B.I.E.? Dá vontade de comprar um ao sair do cinema.
E para você que já não tem mais paciência para assistir a cada novo filme da Marvel por causa do excesso de referências e conexões com séries e longas anteriores para entender o que está vendo — não se preocupe. Este é um filme completamente autocontido, promovendo uma experiência agradável para quem gosta de aventura e ficção científica, sem a necessidade de ter uma bagagem prévia de conhecimento nerd para aproveitar a história. E reconsiderando minha afirmação anterior, não é um bom filme se super-heróis. É um ótimo filme de sci-fi e super-heróis.
