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Colecionismo

Desde que me entendo por gente eu sou um colecionador! A primeira coleção que tenho recordação de fazer foi de Caixinhas de Remédios! Sim, é isso mesmo! Na minha primeira infância eu residi na casa de minha avó materna. 10 pessoas dividiam comigo esta casa, dessa maneira existia nela um consumo elevado de vários produtos, dentre eles os remédios.

Por um motivo que não me recordo, aos 5 ou 6 anos de idade, eu comecei a juntar estas caixinhas de remédio em uma sacola. Essa coleção durou o suficiente para encher esta sacola plástica de tamanho médio e findou quando briguei com uma tia minha e ela, em sua ira, pisoteou a sacola e consequentemente as minhas caixinhas de remédio.

No entanto, mesmo findando esta pequena coleção, não chegou ao fim a minha gana por colecionar. Logo após comecei a colecionar pequenas figurinhas que vinham nas caixas de Cremogema. Eram figuras de animais circundadas de um tracejado que indicava a área de corte. Assim, algum adulto recortava as figuras das caixas e me dava para eu brincar e guardar. Estas figurinhas tinham nas suas extremidades pequenas abas que dobradas, uma para frente e outra para trás, faziam com que as figurinhas conseguissem ficar em pé, como pequenos bonecos. Eu pesquisei, mas não consegui encontrar nenhuma imagem delas, mas recordo vivamente que eu possuía dezenas delas, pois o consumo de mingau era grande!

A terceira e a quarta coleção que me recordo foram, respectivamente, Gibis da Turma da Mônica e de latinhas de refrigerante. A coleção de Gibis perdurou, na verdade dura até hoje, já a de latinhas não. Mas pelo que me lembro, consegui ter um bom número de latinhas. Como eu e minha mãe tivemos que sair da casa de minha avó, passamos a residir de aluguel e por isso as mudanças eram constantes. E como se diz por aí “Duas mudanças equivalem a um incêndio”! As latinhas não pegaram fogo, porém logo na primeira mudança foram para o lixo.

Em compensação a minha coleção de Gibis só aumentava. Posso dizer sem dúvida nenhuma que fui alfabetizado pela Turma da Mônica, em especial pelos Gibis do Cascão, o meu personagem preferido. Observando o meu interesse, a minha mãe, sempre que o dinheiro sobrava, comprava mais revistas em quadrinhos. Cheguei a ter um número bem elevado delas, mas como eu disse, as mudanças foram “queimando” aos poucos também esta coleção.

Em paralelo a isso tudo, o gosto por colecionar foi se expandindo para outros ramos, pois os anos 90, período da minha infância, eram perfeitos para quem tinha o hobby do colecionismo. Tínhamos à disposição, e eu os colecionava, uns em maior proporção do que outros: Tazos, Álbuns de Figurinhas, Cartões Telefônicos, Bolas de Gude, fitas e posteriormente os CD’s de vídeo games, também tínhamos a disposição Fitas, CD’s e DVD’s de filmes e músicas, e ainda os Discos de Vinil.

Com o passar dos anos fui colecionando um pouco de tudo isso, porém, repetindo, com as contantes mudanças, chegando ao incrível número de dez casas diferentes, e a vinda da puberdade, eu fui abandonando muita coisa pelo caminho. No entanto o colecionismo sempre ressurgia em minha vida. Lembro que na adolescência, início dos anos 2000, quando comecei a ir a shows e eventos, eu comecei a colecionar Flyer’s de festas. Eu tinha uma pequena escarcela com vários destes papéis que eu recebia nas ruas. Sei que isso não é coleção e que talvez fosse um traço de acumulação compulsiva, mas fazer o quê? É a verdade, aconteceu! Hoje, olhando para este ato, acredito que fosse uma forma do colecionismo se rebelar diante o esquecimento que eu o havia renegado.

O tempo passou, me tornei um adulto e comecei a trabalhar. Com o meu próprio dinheiro em mãos comecei a abraçar verdadeiramente a paixão que sempre tive pelos filmes. Neste período os DVD’s piratas estavam espalhados por todas as calçadas do Brasil e sempre que eu recebia meu salário comprava uma danação de DVD’s ao módico valor de 3 filmes por 10 reais. Isso, mais a influência benéfica do meu primo Normando, grande colecionador, fizeram despertar novamente aquele sentimento adormecido.

Comecei a me aventurar na compra de DVD’s originais, daí para suas edições especiais, edições de colecionador, foi um pulo. Um dos primeiros filmes originais que comprei foi um Box com os três filmes do Senhor dos Anéis. Há muito, desde que os vi no cinema, eu desejava poder tê-los em mãos e foi a partir deles, os filmes, que me surgiu a vontade de ler os livros e retomar definitivamente meu gosto pela leitura. A consequência disso foi que passei a também colecionar livros. Nesse meio tempo voltei a ler Gibis e a coleção ia aumentando. Por extensão passei comprar um ou outro Action Figure. Vale salientar que um colecionador não está limitado aos itens que narrei. Estes são os meus interesses. Mas tem gente que coleciona de tudo: selos, moedas, canecas, canetas, cartões de visita, carros, motos ou bicicletas.

Com o passar do tempo fui construindo uma boa coleção de tudo que me interessava e essa construção passa por algumas etapas que se traduzem em um prazer imenso para quem tem o hobby do colecionismo. A primeira etapa, logicamente, vem do desejo de possuir a materialização daquilo que te trouxe uma experiência tão feliz. Quem coleciona sabe o bem que faz para nosso juízo observar aquele livro, gibi, filme ou estátua sempre ali no seu campo de visão, ao alcance de sua mão, te lembrando constantemente do sentimento bom que você teve ao consumir o seu conteúdo.

A segunda etapa é a busca! Procurar aquele item tão desejado é uma das coisas mais prazerosas para um colecionador. Seja a busca virtual ou física! Essa busca faz com que eu me sinta como Indiana Jones em uma das suas aventuras, viajando, procurando, descobrindo aquele ídolo escondido e esquecido pelo tempo e pelas pessoas. Ir a um sebo e, no meio de milhares de livros, encontrar aquele item raro, aquele tesouro oculto, que somente você sabe da existência e que para sempre fará parte da sua coleção, é das sensações mais fantásticas que existe.

Depois dessa busca vem a terceira etapa que é o prazer de adquirir, aumentar sua coleção e por vezes concluí-la. Eu falei acima da beleza que é olhar para sua estante e ver aquele totem de felicidade ali a sua disposição, mas outro prazer imenso é olhar uma determinada coleção completa e, além do prazer de vê-la completa, lembrar de cada aventura que você passou para conseguir cada item dela. E quantas vezes essas aventuras não vêm acompanhadas de novas pessoas que conhecemos no caminho, novos conhecimentos que adquirimos e claro, novos itens que a gente nem sabia que queria, mas que achou no meio da aventura e que agora fazem parte também da nossa coleção!

Tudo isso torna aquele seu cantinho da casa, onde estão todos esses totens de felicidade, extremamente precioso! É que ali não está somente um amontoado de objetos. São, além do prazer intrínseco em cada obra ou item, um aglomerado de memórias, aventuras e sentimentos. Logicamente, nem tudo são flores! Várias vezes me vi endividado por uma compra de impulso, como Sméagol no Senhor dos Anéis sendo corrompido pelo seu precioso item, o Um Anel. Outras vezes tive crises de personalidade e me desfiz de várias coleções, pelo simples fato de me achar um adulto infantilizado. No entanto, com a maturidade, comecei a me equilibrar financeiramente, ter autocontrole e perceber que todo ser humano neste planeta tem as suas paixões. Afinal, quantas pessoas não conhecemos que gastam seu tempo e seu dinheiro com partidas de Futebol ou qualquer outra coisa que, no senso comum, é uma diversão “normal”?

Então, orgulhoso, chego ao fim desse texto afirmando que colecionar é o meu divertimento e que pretendo me divertir até o fim dos meus dias. Colecionar é um traço da minha personalidade e, como todos os outros traços que existem em nossas almas, eu não posso negá-lo!

***

O Periódico Opinioso do Castelo da Curva do Rio

Trazendo pensamentos, lembranças, informações, entrevistas, comentários, o passado, o presente, o futuro e a narração de casos verídicos, em sua maioria fantasiados, escritos em prosa e verso pelo Segrel Paraibano, Igor Gregório.

Data: Nove de setembro de dois mil e vinte e cinco

Título: Colecionismo

Igor Gregório
Igor Gregório
Nasceu na Parahyba. Escritor por vocação, já publicou vinte e um Folhetos de Cordéis, chegando a ser contemplado com premiações estaduais. Em 2023 publicou seu primeiro de livro de poemas: Alma-de-Gato no Voo da Alvorada. Além do trabalho impresso, tem uma produção ativa nas redes sociais, colunas e em saraus.

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